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Deus, 6 mil anos de idade, morreu em acidente de trânsito na noite de quinta-feira, dia 3, às 22 horas, na avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro. Deus pilotava uma moto Honda CG Titan 150, e ao passar em uma lombada perdeu o controle e caiu da moto. No momento da queda ele foi arremessado contra um posto de iluminação pública, sofrendo ferimentos principalmente na cabeça. Ele morreu na hora. O corpo foi necropsiado no IML de Duque de Caxias (Baixada Fluminense).
Deus era solteiro e morava no céu. Ele passava férias no Rio de Janeiro. Estava cursando administração de nuvems e a sua formatura seria no final do ano.
Nas cidades do interior do Brasil, tem aquela semana do ano que Jesus desce pelas ruas carregado pelos fiéis. Passa debaixo das lanterninhas e bandeiras celebrando a festa; passa pelas barraquinhas que vendem santinhos, medalhas, doces e salgados feitos em casa, brinquedos de plástico, roupas em promoção, tapetes, vassouras, buginganças além da imaginação.
O povo segue Jesus (ou Maria, ou um dos santos, dependendo da cidade) com aquela cara de fome, de alegria, de tédio. Muitos rostos se misturam na multidão. Nasce das vozes uma canção sobre o menino do céu. A canção corre pelo povo como se tivesse sido planejada desde o começo. Tudo improvisado, mas repetido anualmente.
Corre um boato, depois, que casas foram assaltadas enquanto o povo celebrava a chegada da estátua. Ladrões de fora se aproveitaram da fé para fazerem a festa. Será que Deus lhes perdoará? Será que Deus viu, distraido como estava também com a procissão? O céu claro, vazio de nuvems, não dá resposta. A polícia corre atrás, persegue, tenta prender os ladrões. Sai tiroteio. Ninguém é ferido. Os ladrões se safam.

Jorge Amado, Capitães da Areia, 1937
Quando a primeira edição de Capitães da Areia apareceu em 1937, foi apreendida e queimada em praça pública pelas autoridades do Estado Novo. O romance conta a estória de um grupo de moleques que vivem nas ruas de Salvador aprontando roubos e brigas (tipo as crianças no Cidade de Deus). Mas, na verdade, o objetivo principal de Amado ao escrever este romance era atacar os oligarcas do Nordeste que mantinham os pobres num buraco fundo, e a igreja corrupta que fingia não ver a pobreza. Atacou com este romance que pintava as crianças como potenciais soldados de uma revolução comunista no Brasil.
Os meninos abandonados vivem num trapiche velho na praia, usando o dia para “trabalharem” nas ruas de Salvador. São liderados por um garoto loiro de dezesseis anos, Pedro Bala, filho de um líder trabalhista morto anos antes num confronto com as autoridades. Pedro lidera vários meninos que por uma razão ou outra terminaram na rua. Às vezes recebem visita e ajuda de um padre com tendências comunistas, ou de uma Mãe-de-Santo e de um trabalhador do cais que fora amigo do pai de Pedro.
Algumas das cenas no livro são chocantes e controversiais ainda hoje: os meninos transam ums com os outros na falta de mulher, ou estupram meninas que fazem a besteira de atravessar a areia à noite. Quando os meninos caem nas mãos de mulheres mais velhas e ricas, abusam de sua boa vontade para lhes roubar ou formar relações sexuais - são descritos como homems amargurados presos em corpos de meninos.
O que decepciona no romance é o jeito que Jorge Amado tenta enfiar o Comunismo goela abaixo do leitor. Ele usa os meninos e o padre bonzinho como símbolos da luta dos trabalhadores contra os capitalistas de uma maneira que não permite os personagems se desenvolverem com a trama. Amado abusa também do sentimentalismo, especialmente quando a menina Dora se junta aos meninos e vira uma mãe para eles. Mas fora isso, o livro prende o leitor do começo ao fim num enredo cheio de ação e suspense (atípico de muita coisa que Amado escreveu depois.)
Jorgeval era aquele típico pastor de igreja evangélica: roubava no domingo para poder aproveitar a semana sem neuras com falta de grana no bolso. Usava bem o dinheiro doado pelo povinho pobre e desinformado: comprava carros importados, relógios caros, pulseiras tipo cafetão, e muita - mas muita - caipirinha. É claro que tomava todo o cuidado do mundo para não ser reconhecido pelos ignorantes que frequentavam sua igreja - morria de medo de ter sua vida dupla desmascarada. Usava perucas, disfarces, óculos escuro, carro blindado com vidro fumê quando saia pra balada. Vivia na paranóia geral.
Jorgeval tocava aquela vida de santinho do pau oco já fazia algums anos. Começava a achar que nunca seria descoberto. E como poderiam descobrir a verdade quando se especializava a cada ano no roubo e na mentira? As vezes até acreditava nas baboseiras que lia na bíblia e falava em voz alta na igreja (que antes fora um salão de bingo.) Sua mãe, que não perdia um sermão e sempre fazia questão de sentar na primeira fila, chorava por horas a fio quando via seu filho (que ela sonhava um dia virar um homem religioso de verdade) gastando o dízimo dos outros em prostitutas baratas e garrafas de uísque falsificado do Paraguay.
Certo dia, Jorgeval passeava na praia de Ipanema numa tarde ensolarada, feliz da vida. Acabara de cometer vários pecados e fazia planos para viajar para os Estados Unidos pra fazer compras em Nova Iorque. Foi quando percebeu uma figura no horizonte, vindo em sua direção. Foram se aproximando um do outro. Jorgeval percebeu que era um homem de corpo torneado, moreno e bonito. Usava uma sunguinha branca como a nuvem mais angelical do céu. O rapaz percebeu que Jorgeval lhe olhava; sorriu marotamente.
Foi como se um relâmpago atingisse Jorgeval naquele momento. Percebeu na beleza pura do rapaz algo que não tinha - algo que tinha jogado fora a muito tempo atrás. Seria aquele rapaz um anjo vindo para lhe castigar, para lhe dar uma mensagem de Deus? Seria ele um anjo para lhe mostrar um novo caminho?
O rapaz chegou a virar a cabeça quando passou, como que checando se Jorgeval estava realmente interessado nele. Jorgeval sentiu que chegara numa encruzilhada. Ou seguia aquele rapaz - aquele Anjo Gabriel dos Trópicos - ou continuava indo em frente, fazendo maldade aos outros e destruindo sua alma. O rapaz caminhava na direção do pôr-do-sol; um halo dourado lhe cobria o corpo. Jorgeval respirou fundo e foi em direção à luz.

Cormac McCarthy, A Estrada, 2006
Um pai e filho atravessam a pé um pais devastado (provavelmente os Estados Unidos), procurando escapar o inverno implacável. Eles vivem nos últimos dias do planeta Terra, após um desastre sem nome que matou todos os animais e plantas, e jogou o planeta na escuridão. As poucas pessoas que sobreviveram vivem escondidas, aterrorizadas; ou fazem parte de gangues de canibais. Os horrores cometidos por estas gangues embranqueceriam os cabelos de Stephen King.
Embora seje um romance curto, de linguagem poética, tive problemas em termina-lo. A desolação e os horrores descritos faria qualquer um procurar uma garrafinha de Prozac. O crítico Inglês Charlie Brooker acertou em cheio quando disse que o romance deveria vir junto com uma navalha, para o leitor cortar os pulsos. Em compensação, existe um raio de esperança correndo a narrativa que transforma o romance num clássico dos tempos modernos, e faz juz aos varios prêmios que o autor ganhou.
Vale a pena prestar atenção no que o livro tem a dizer sobre Deus. Neste mundo, Deus morreu; não existem igrejas; pomares de maçãs estragadas lembram um Jardim do Éden abandonado; mas mesmo assim um dos personagems - o filho - carrega em si “a chama”, a esperança do ser humano para um mundo melhor, para a volta de Jesus e a salvação de todos. Acho que ateístas e pessoas religiosas gostarão deste livro; e com certeza terão muito assunto para descutir.
Cormac McCarthy será, com certeza, o próximo Americano a ganhar o prêmio Nobel de Literatura.

A cada dia cresce mais o poder da Igreja Universal do Reino de Deus. Com o passar de cada ano, eles constroem mais igrejas, compram mais televisões, empresas… logo logo, serão uma das maiores corporações brasileiras (mas o tipo que destroe o espírito ao invés do meio-ambiente.)
O povo brasileiro, infelizmente, é um povo bundão. Fica lá sentado, sem fazer nada, deixando este mal crescer (da mesma maneira que tolerou a ditadura militar por tantos anos). Prefere um sambinha, uma prainha, ao invés de batalhar por uma sociedade melhor. É claro que muitos lutam, tentam mostrar a verdade e impedir o crescimento desta corja, mas infelizmente acho que a maioria da população não esta nem ai. Um dia (espero que este dia nunca chegue) quando tivermos um presidente evangélico, o que faremos? Quando perdermos a liberdade de expressão, quando os homosexuais forem perseguidos “em nome da religião”, o que faremos? Quando perdermos o nosso charme brasileiro, que nos faz especial ao olhos do mundo, para um bando de cristãos apaixonados pelo dólar, o que faremos?
Povo brasileiro, abra os olhos antes que seje tarde demais.

O filme cristão For The Bible Tells Me So tem grande chance de concorrer ao Oscar de melhor documentário em 2008. O filme mostra a vida de cinco famílias cristãs que tem filhos gays. O filme é do Nova Iorquino Daniel G. Karslake.
Os filmes oficialmente nominados serão anunciados no dia 22 de Janeiro. Enquanto isso For The Bible Tells Me So tem ganhado mais e mais popularidade, sendo bem recebido em vários cinemas dos Estados Unidos.
Os Reitans, uma das famílias que participaram no documentário (mostrados na foto acima), tem ajudado espalhar a mensagem de amor e tolerância do filme. Jake, que cresceu em Mankato, contou a seus pais que era gay quando estudava o colegial. Na época, os pais sofreram com a perda dos sonhos que tinham para o filho; mas logo, com a ajuda de Jake, começaram a mudar suas opiniões. Hoje, os pais são ativistas dos direitos gays juntamente com o filho.
- O DVD do filme pode ser comprado no site forthebibletellsmeso.org.
- Trailer para o filme For The Bible Tells Me So.
Jesus voltou a Terra! E resolveu gravar um musical. Alleluia, salve salve:
No último capítulo de Roque Santeiro, o público finalmente descobriu quem era o lobisomem: Professor Astromar. Aqui está o video que assustou muitas crianças na época:
Interessante como um crucifixo aparece no final, quando a transformação do Professor se completa. Hoje em dia, Professor Astromar é com certeza pastor em alguma Igreja Universal do Reino de Deus.
Fudeus geral. Cientistas anunciaram, de acordo com o jornal Britânico The Independent, que o aquecimento global não tem mais jeito: um aumento de dois graus na temperatura do planeta é inevitável; os cientistas agora estão pedindo que governos se preparem para as várias crises que surgirão em conseqüência disso.
A BBC também noticiou ontem que o Ártico teve sua maior perda de gelo este verão - perdeu um espaço equivalente a sete Grã-Bretanhas. O surgimento desta nova rota marítima pode causar conflitos no futuro entre a América e a Rússia, já que os dois países pretendem controlar a exploração de recursos naturais nesta região.
Quando ouço falar de aquecimento global, me lembro de uma reportagem que vi na TV sobre seitas baseadas em Brasília. Membros destas seitas acreditam que Brasília será, no futuro, uma capital mundial, após um desastre ecológico; o Brasil será um dos poucos países poupados. Talvez esse pensamento tenha a ver um pouco com nossa mania no Brasil de pensar que o país so dará certo no futuro.
Enquanto o futuro não chega, sugiro que montemos uma guilhotina em Brasília e mandemos os políticos fazer fila. Ficará chato - não é mesmo? - se os políticos ladrões ainda estiverem no poder quando os sobreviventes globais chegarem. E pode colocar os bispos da Igreja Universal do Reino de Deus na fila também; eles não merecem pertencer ao novo futuro do Brasil.

Eu não sei quem são os piores: os cristãos filhos da puta americanos que sonham com o Armagedon; ou os cristãos filhos da puta brasileiros que querem destruir qualquer esperança que existe na alma do povo brasileiro. Botando de lado o fato que ambas tribos louvam Satânas, acho uma questão complicada até para o mais manjado filósofo.
Eu proponho então uma solução: amarra toda esta cambada em mísseis nucleares - tanto faz se for míssel Americano ou Russo - e manda pro Sol.
Uma coisa que temos em comum com as pessoas sensatas dos Estados Unidos é que usamos o senso de humor para lidar com tanta idiotice. Para cada vídeo da Xuxa louvando o Diabo ou de uma menina de sete anos (triste vítima da lavagem cerebral) pregando mentiras da Bíblia, aparece alguém com um funk ou um vídeo exclusivo do Edir Macedo mostrando sua face real .
A esperança é a última que morre, como todos dizem, especialmente se é auxiliada pelo bom humor.











