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O pesquisador (e noveleiro) espanhol Jesús Martín-Barbero, da Universidad Javeriana, de Bogotá, abriu nesta segunda feira o 4º Semniário Internacional Obitel (Observatorio Iberoamericano de la Ficción Televisiva), realizado no Rio em parceria entre a USP e o projeto Globo Universidade. Ele falou com o Estadão sobre telenovelas, includindo Roque Santeiro. Aqui vai um trecho:
Na sua palestra, o senhor chamou a novela colombiana Betty, a Feia de “mutante”, porque ela teria perdido a identidade quando foi adaptada em outros países . Mas não vê êxito nisso para a produção colombiana?
Betty, a Feia, em termos de público ou audiência, é um êxito maravilhoso. Mas o problema é que com essa telenovela não estamos falando com latino-americanos, mas usando a genialidade de um roteirista de usar um tema-chave, como é o de Branca de Neve. Nas versões de Betty, o único aspecto que resta do original é o núcleo arquetípico da beleza oculta. É diferente, por exemplo, de novelas como Roque Santeiro e Terra Nostra, que apresentam uma visão brasileira sobre as diferentes situações. Betty é um modelo que pode ser feito pelos alemães, basta mudar as tramas. Isso não tem nada a ver com a Colômbia, nem com a América Latina. De alguma forma, essa novela é o modelo que a globalização da TV está buscando: não é remake, é transformação, que permite que Betty seja alemã, norte-americana, espanhola…
Entrevista completa aqui.

Jorge Amado, Capitães da Areia, 1937
Quando a primeira edição de Capitães da Areia apareceu em 1937, foi apreendida e queimada em praça pública pelas autoridades do Estado Novo. O romance conta a estória de um grupo de moleques que vivem nas ruas de Salvador aprontando roubos e brigas (tipo as crianças no Cidade de Deus). Mas, na verdade, o objetivo principal de Amado ao escrever este romance era atacar os oligarcas do Nordeste que mantinham os pobres num buraco fundo, e a igreja corrupta que fingia não ver a pobreza. Atacou com este romance que pintava as crianças como potenciais soldados de uma revolução comunista no Brasil.
Os meninos abandonados vivem num trapiche velho na praia, usando o dia para “trabalharem” nas ruas de Salvador. São liderados por um garoto loiro de dezesseis anos, Pedro Bala, filho de um líder trabalhista morto anos antes num confronto com as autoridades. Pedro lidera vários meninos que por uma razão ou outra terminaram na rua. Às vezes recebem visita e ajuda de um padre com tendências comunistas, ou de uma Mãe-de-Santo e de um trabalhador do cais que fora amigo do pai de Pedro.
Algumas das cenas no livro são chocantes e controversiais ainda hoje: os meninos transam ums com os outros na falta de mulher, ou estupram meninas que fazem a besteira de atravessar a areia à noite. Quando os meninos caem nas mãos de mulheres mais velhas e ricas, abusam de sua boa vontade para lhes roubar ou formar relações sexuais - são descritos como homems amargurados presos em corpos de meninos.
O que decepciona no romance é o jeito que Jorge Amado tenta enfiar o Comunismo goela abaixo do leitor. Ele usa os meninos e o padre bonzinho como símbolos da luta dos trabalhadores contra os capitalistas de uma maneira que não permite os personagems se desenvolverem com a trama. Amado abusa também do sentimentalismo, especialmente quando a menina Dora se junta aos meninos e vira uma mãe para eles. Mas fora isso, o livro prende o leitor do começo ao fim num enredo cheio de ação e suspense (atípico de muita coisa que Amado escreveu depois.)
Algumas semanas atrás, Londres elegeu um novo prefeito (desta vez escolheram um cara da direita, Boris Johnson.) O novo prefeito, carinhosamente apelidado de BoJo, resolveu banir bebidas alcólicas em todos os meios de transporte público, na esperança de diminuir um pouco a onda de crimes que vem assolando a capital inglesa.
Quem mora em Londres sabe que o problema da cidade não tem muito a ver com o álcool; tem a ver sim com problemas entre gangues de adolescentes que vivem se enfrentando e se matando a facadas por causa de disputas de territórios, entre outras bobagems. Na verdade, Londres ficou conhecida nos últimos tempos como uma grande cidade para sair e se divertir à noite exatamente porque existia este lado relaxado. Estava cada vez mais virando uma Amsterdam… mas agora com este prefeito suburbano da direita, parece que estamos na beira de um retrocesso.
A nova lei que proíbe a bebida alcoólica nos meios de transporte entra em vigor no dia 1 de Junho. Pessoas no Facebook, e por e-mail, resolveram se juntar e combinar uma festa no dia 31 de Maio, no Underground londrino, para celebrar (e tirar um pouco de sarro do novo prefeito) o último dia permitindo bebedeira nos trems, sem medo da polícia. Todos devem, de preferência, vir vestidos com roupas formais (tipo festa de salão - smoking, black tie, etc.) e se encontrarem na plataforma da linha Circle, às nove da noite, na estação Liverpool Street.
Mais informações no site Last Orders on the Underground.
Uma amiga vai levar dois frascos de Southern Comfort com Coca Cola para dividir comigo. Acho que vou tirar aquele velho terno do armário e engraxar meus sapatos de couro preto.
Enquanto a economia Americana balança na beira da recessão, e a Inglaterra batalha contra seus próprios problemas econômicos, é fácil de esquecer que algumas partes do mundo estão crescendo. Bem vindo ao Brasil.
- Gillian Lacey-Solymar, Business correspondent, BBC Newsnight, São Paulo. Reportagem (em inglês)
Faz um tempo que venho percebendo o crescimento (e popularidade) do Brasil no exterior, particularmente aqui na Inglaterra. Posters fazendo propagandas do Brasil; a popularidade das sandálias havaianas, da comida brasileira, da música; artistas plásticos brasileiros com shows concorridos; e muito mais. Amigos ingleses me perguntam sobre o Brasil, interessados em passarem as férias lá; e os que vão, voltam maravilhados. Em outras palavras, o Brasil está num momento bom.
A reportagem aponta aqueles problemas de sempre - pobreza, favelas, etc - mas o tom é, em geral, bem positivo. Fico imaginando se um dia pensarei em voltar ao Brasil pois as condições de trabalho e vida serão melhores lá do que aqui no exterior. Tomara que sim!
Agora só falta passarem uma lei que possibilite meu namorado voltar comigo, para que possamos morar juntos no Brasil sem problemas com a lei.

A cada dia cresce mais o poder da Igreja Universal do Reino de Deus. Com o passar de cada ano, eles constroem mais igrejas, compram mais televisões, empresas… logo logo, serão uma das maiores corporações brasileiras (mas o tipo que destroe o espírito ao invés do meio-ambiente.)
O povo brasileiro, infelizmente, é um povo bundão. Fica lá sentado, sem fazer nada, deixando este mal crescer (da mesma maneira que tolerou a ditadura militar por tantos anos). Prefere um sambinha, uma prainha, ao invés de batalhar por uma sociedade melhor. É claro que muitos lutam, tentam mostrar a verdade e impedir o crescimento desta corja, mas infelizmente acho que a maioria da população não esta nem ai. Um dia (espero que este dia nunca chegue) quando tivermos um presidente evangélico, o que faremos? Quando perdermos a liberdade de expressão, quando os homosexuais forem perseguidos “em nome da religião”, o que faremos? Quando perdermos o nosso charme brasileiro, que nos faz especial ao olhos do mundo, para um bando de cristãos apaixonados pelo dólar, o que faremos?
Povo brasileiro, abra os olhos antes que seje tarde demais.
Gilberto Lacerda escreve, no Jornal da Manhã de Uberaba, que “o presidente do Vasco, Eurico Miranda, representa o que existe de pior no mundo do futebol. O cartola, que acha que é o coronel Sinhozinho Malta, de Roque Santeiro, ameaçou retirar a estátua de Romário, de São Januário. A torcida chiou e ele repensou sobre tal atitude. Romário está decidido a ir para o Flamengo. Ele faz parte da história dos dois clubes e nem Eurico Miranda vai conseguir mudar isso.”


Talvez Eurico Miranda tenha percebido que Romário, como Roque Santeiro, nunca foi um milagreiro…
“Mass Effect” é banido de Cingapura por por conter cenas de lesbianismo.
Pensei que a homosexualidade já era legalizada em Cingapura, ou pelo menos decriminalizada, como o uso da maconha na Holanda. Pelo jeito me enganei.
Às vezes me pergunto se teria me assumido como gay mais cedo se minha família não tivesse se mudado para Cingapura quando eu era adolecente. Morei lá entre os 16 e 18 anos; fiz o colegial numa escola para adolecentes internacionais. O governo ultra-conservador proibia o homosexualismo, assim como homems de cabelos longos ou piercings, embora muitos adolecentes quebravam a regra - era a época do grunge. Livros, peças de teatro e filmes tratando de temas homosexuais eram completamente proibidos (mesmo assim consegui encontrar na época uma cópia de Entrevista com o Vampiro). Foi durante esta época que o governo introduziu a proibição de chicletes. Toda vez que viajavamos de férias, eu e meu irmão voltavamos para Cingapura com a mala cheia de chicletes para distribuir na escola e, consequentemente, fazer mais amigos.
Uma das praias de Cingapura era popular com os praticantes de windsurfing. Fiz um curso de windsurfing quando cheguei na ilha, e após o término do curso eu voltava à praia para praticar. Boatos corriam pela escola que esta praia era reduto de gays - homems interessados carregavam garrafas de água mineral para indicar interesse ou disponibilidade. Tinha um chuveiro que os esportistas usavam para se lavar após o treio, ou para se trocarem; percebo agora que era um antro de pegação gay. Me lembro de um cara musculoso me encarando do lado de fora dos chuveiros, e como pensei que ele estava afim de me dar aulas de windsurfing… santa inocência!

Assisti a meu primeiro filme de Bruce LaBruce: The Raspberry Reich. LaBruce pega uma estória fraquinha de terroristas da extrema esquerda e adiciona pornografia e propaganda revolucionária. Ele cobre uma parede, por exemplo, com uma imagem gigante de Che Guevara e filma um jovem de etnia ambígua encostado perto, se masturbando; ou ele filma dois homems se beijando, sem camiseta, numa praça para a raiva e surpresa de alemães passando por ali. O filme, de uma hora e meia, está repleto de péssimo diálogo, slogans para todos os lados (”A Intifada Homosexual”, “A Revolução é Meu Namorado”), e várias situações onde os atores podem demonstrar sua experiência na indústria pornográfica gay.
Nós assistimos a versão softporn, onde uma cena de sexo oral entre um terrorista e seu refém é coberto por uma foto de Tony Blair e o slogan “Bliar”; ou uma cena entre a líder dos terroristas e seu namorado é censurada por uma das várias frases idióticas de George Bush Jr. Pensei que seria o tipo de filme que me encheria o saco, mas acabei sendo seduzido por seu humor juvenil.
As influências de Andy Warhol e John Waters estão presentes, assim como as influências em outros artistas (a banda Stereo Total, se inspirou no filme para uma faixa no seu novo álbum). Por um lado, o filme é leve demais (na medida do possível num porno) e quase sentimental. Mas, por outro lado, seu humor em relação à política, especialmente em se tratando dos direitos dos homosexuais, é incrivelmente engraçado. Eu gostaria de entender um pouco mais do assunto mas não conheço suficientemente bem a história do cinema gay para entender todas suas influências.
De acordo com LaBruce, os alemães são blasé com a pornografia - várias celebridades participam em filmes do tipo sem a imprensa se escandalizar. Ao mostrar a pornografia como um galho da comédia política, dentro de uma sociedade progressiva como a alemã, LaBruce arranca a máscara assustadora do porno e lhe mostra como uma fonte genuína de humor. Não é nada novo no mundo porno (como pode ser visto, por exemplo, nos títulos de vários filmes - “Forest Hump” ou “I Know Who You Blew Last Summer”), mas é uma idéia nova quando penso em suas implicações (e aplicações) ao cinema popular.
Roque Santeiro é o maior mercado ao céu aberto na Angola. A maioria das vendinhas são cuidadas por mulheres. No vídeo abaixo, elas reclamam da decisão do governo em mover o mercado para outra área, fora da cidade, e longe da clientela habitual.
Pelo jeito, a novela Roque Santeiro foi sucesso na Angola. Será que existem crianças Angolanas com os nomes Sinhozinho Malta ou Viúva Porcina?
Na novela Roque Santeiro, uma cidade vivia às custas de um mito - todos dependiam de uma maneira ou outra no “morto” Roque Santeiro. O mercado Angolano Roque Santeiro também tem uma relação precária com sua clientela: caso os poderosos mudem o mercado para fora da cidade, destruirão a vida de várias pessoas que não tem como chegar lá. Na novela, com a volta de Roque para a cidade de Asa Branca, muitos viram seus negócios em apuros - como os já mencionados Sinhozinho Malta e Porcina, e aquela outra figura principal da novela, o Zé das Medalhas.
Fudeus geral. Cientistas anunciaram, de acordo com o jornal Britânico The Independent, que o aquecimento global não tem mais jeito: um aumento de dois graus na temperatura do planeta é inevitável; os cientistas agora estão pedindo que governos se preparem para as várias crises que surgirão em conseqüência disso.
A BBC também noticiou ontem que o Ártico teve sua maior perda de gelo este verão - perdeu um espaço equivalente a sete Grã-Bretanhas. O surgimento desta nova rota marítima pode causar conflitos no futuro entre a América e a Rússia, já que os dois países pretendem controlar a exploração de recursos naturais nesta região.
Quando ouço falar de aquecimento global, me lembro de uma reportagem que vi na TV sobre seitas baseadas em Brasília. Membros destas seitas acreditam que Brasília será, no futuro, uma capital mundial, após um desastre ecológico; o Brasil será um dos poucos países poupados. Talvez esse pensamento tenha a ver um pouco com nossa mania no Brasil de pensar que o país so dará certo no futuro.
Enquanto o futuro não chega, sugiro que montemos uma guilhotina em Brasília e mandemos os políticos fazer fila. Ficará chato - não é mesmo? - se os políticos ladrões ainda estiverem no poder quando os sobreviventes globais chegarem. E pode colocar os bispos da Igreja Universal do Reino de Deus na fila também; eles não merecem pertencer ao novo futuro do Brasil.












