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Espelho Espelho Meu

Jorgeval não vê sua reflexão no espelho. Até mesmo as águas dos rios e lagos insistem em esconder sua face. Quando sai de casa, Jorgeval não tem como saber se seu cabelo está penteado, se um pouco de pasta de dente ficou no canto da boca, se sua pele começa a desbotar como mobília velha.

Ele coleciona fotos de Edir Macedo. As guarda carinhosamente num álbum de fotografia estampado com o rosto enigmático de Hello Kitty. Algumas fotos mostram Edir Macedo na prisão, segurando as barras de seu cárcere. Outras são do julgamento que lhe condenou por ser um bispo megamilionário e corrupto – a sentença sendo mais de cem anos de prisão. (Jorgeval acredita que ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.)

Às vezes, quando Jorgeval passeia pela cidade, ele para um pouco na frente de um prédio abandonado no centro – antiga sede e templo da Igreja Universal do Reino de Deus. Uma tristeza vai lhe preenchendo conforme lembra os bons tempos em que costumava faturar uma nota preta como pastor evangélico. Limpava os bolsos dos fiéis nos fins de semana; mais à noite, promovia altas orgias regadas a champagne e prostitutas. Os templos esvaziaram assim que a verdade veio a tona na imprensa – os fiéis partiram para os terrenos de Candomblé, onde o mal e o bem co-existem sem hipocrisia.

Agora Jorgeval tem somente seu álbum de fotografias para lhe dar alegria… e sua esperança de um dia encontrar um sorriso desgonçado no espelho.

Morrissey

Morrissey

Fui assistir ontem ao show de Morrissey em Brixton (um bairro na Zona Sul de Londres). Por coincidência, era o 4º aniversário da morte de Jean Charles de Menezes. Durante o show, Morrissey virou para a audiência e disse:

“Jean Charles de Menezes, nós nunca esqueceremos. Nunca, nunca, nunca.”

Brixton fica perto de Stockwell, onde Jean foi assassinado pela polícia inglesa quatro anos atrás.

Me emocionei com a homenagem de Morrissey porque percebi que ele está atento aos brasileiros que moram aqui e esta grande injustiça perpetrada pelas cortes inglesas. O show foi excelente, misturando músicas da sua carreira solo com as do The Smiths. Sou fã dele desde minha adolescência (já faz mais de vinte anos!) e o show ontem me lembrou por que lhe adoro e continuo a acompanhar sua carreira.

Um clipe do show:

Se alguém puder ajudar… Não costumo passar mensagens de alarde, mas essa merece toda nossa atenção, pois toda a sociedade brasileira tem de solidarizar.

Um ‘Comando Guerrilheiro’ seqüestrou o candidato à prefeitura de Londrina, Antonio Belinati, e estão solicitando R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais) para sua libertação. Avisaram que, caso não seja pago o resgate em 24 horas, vão banhá-lo com combustível e o queimarão vivo.

Estamos organizando uma coleta e necessitamos da sua ajuda!!! Até agora conseguimos:

- 580 litros de gasolina aditivada;
- 320 litros de gasolina Premium;
- 125 litros de óleo diesel;
- 175 litros de gasolina convencional;
- 38 caixas de fósforos;
- 21 isqueiros.

Não mandem álcool pois ja temos bastante. Aceita-se também botijões de gás.

Por favor ajude a sociedade de Londrina.

A juíza da Infância e Juventude da comarca de Sapé, Maria Aparecida Sarmento Gadelha, baixou uma portaria determinando a proibição da permanência de crianças e adolescentes desacompanhados em vários pontos da cidade depois das 22 horas. A medida tem como justificativa reduzir o consumo de álcool e drogas, além de buscar evitar o aliciamento de menores para a prática da exploração sexual.

De acordo com a magistrada, as crianças e adolescentes não poderão estar, à noite, no Calçadão, praças João Pessoa, João Úrsulo e Roque Santeiro e nem nas proximidades do antigo Hospital Geral de Sapé.

Um esquema de exploração sexual foi denunciado na cidade de Sapé no início de 2007 e dois vereadores chegaram a ser denunciados por envolvimento no esquema, supostamente chefiado por uma estudante de 19 anos, que foi presa, mas acabou sendo liberada.

Originalmente publicado em Paraiba.com.br.

Cresce a cada dia o número de pessoas mortas a facada em Londres. Virou uma epidemia, e até mesmo o primeiro ministro Gordon Brown declarou que tomaria medidas sérias contra o chocante alastramento de assassinatos na capital inglesa.

A coisa está realmente fora de controle. Seis pessoas foram esfaqueadas e mortas nos últimos sete dias. Esta estatística, de acordo com uma amiga minha que trabalha com o serviço de ambulâncias, não leva em consideração o número de pessoas que sobrevivem.

Às vezes tenho a impressão que todo adolescente que passa por mim carrega uma faca no bolso ou na mochila. Me lembra muito São Paulo na década de 80, quando sair do condomínio fechado era uma aventura: havia aquele temor de ser assaltado na rua ou dentro de um ônibus.

As rixas aqui em Londres tendem a ser entre adolescentes – muitos fazem parte de gangues – mas pessoas mais adultas já começam a aparecer em hospitais com feridas de lâminas. Não ficaria surpreso se alguém resolvesse fazer um filme em torno do problema, talvez contando a estória de uma gangue que carrega somente facas e aterroriza Londres.

O pesquisador (e noveleiro) espanhol Jesús Martín-Barbero, da Universidad Javeriana, de Bogotá, abriu nesta segunda feira o 4º Semniário Internacional Obitel (Observatorio Iberoamericano de la Ficción Televisiva), realizado no Rio em parceria entre a USP e o projeto Globo Universidade. Ele falou com o Estadão sobre telenovelas, includindo Roque Santeiro. Aqui vai um trecho:

Na sua palestra, o senhor chamou a novela colombiana Betty, a Feia de “mutante”, porque ela teria perdido a identidade quando foi adaptada em outros países . Mas não vê êxito nisso para a produção colombiana?

Betty, a Feia, em termos de público ou audiência, é um êxito maravilhoso. Mas o problema é que com essa telenovela não estamos falando com latino-americanos, mas usando a genialidade de um roteirista de usar um tema-chave, como é o de Branca de Neve. Nas versões de Betty, o único aspecto que resta do original é o núcleo arquetípico da beleza oculta. É diferente, por exemplo, de novelas como Roque Santeiro e Terra Nostra, que apresentam uma visão brasileira sobre as diferentes situações. Betty é um modelo que pode ser feito pelos alemães, basta mudar as tramas. Isso não tem nada a ver com a Colômbia, nem com a América Latina. De alguma forma, essa novela é o modelo que a globalização da TV está buscando: não é remake, é transformação, que permite que Betty seja alemã, norte-americana, espanhola…

Entrevista completa aqui.

Capitães da Areia

Jorge Amado, Capitães da Areia, 1937
Quando a primeira edição de Capitães da Areia apareceu em 1937, foi apreendida e queimada em praça pública pelas autoridades do Estado Novo. O romance conta a estória de um grupo de moleques que vivem nas ruas de Salvador aprontando roubos e brigas (tipo as crianças no Cidade de Deus). Mas, na verdade, o objetivo principal de Amado ao escrever este romance era atacar os oligarcas do Nordeste que mantinham os pobres num buraco fundo, e a igreja corrupta que fingia não ver a pobreza. Atacou com este romance que pintava as crianças como potenciais soldados de uma revolução comunista no Brasil.

Os meninos abandonados vivem num trapiche velho na praia, usando o dia para “trabalharem” nas ruas de Salvador. São liderados por um garoto loiro de dezesseis anos, Pedro Bala, filho de um líder trabalhista morto anos antes num confronto com as autoridades. Pedro lidera vários meninos que por uma razão ou outra terminaram na rua. Às vezes recebem visita e ajuda de um padre com tendências comunistas, ou de uma Mãe-de-Santo e de um trabalhador do cais que fora amigo do pai de Pedro.

Algumas das cenas no livro são chocantes e controversiais ainda hoje: os meninos transam ums com os outros na falta de mulher, ou estupram meninas que fazem a besteira de atravessar a areia à noite. Quando os meninos caem nas mãos de mulheres mais velhas e ricas, abusam de sua boa vontade para lhes roubar ou formar relações sexuais – são descritos como homens amargurados presos em corpos de meninos.

O que decepciona no romance é o jeito que Jorge Amado tenta enfiar o Comunismo goela abaixo do leitor. Ele usa os meninos e o padre bonzinho como símbolos da luta dos trabalhadores contra os capitalistas de uma maneira que não permite os personagems se desenvolverem com a trama. Amado abusa também do sentimentalismo, especialmente quando a menina Dora se junta aos meninos e vira uma mãe para eles. Mas fora isso, o livro prende o leitor do começo ao fim num enredo cheio de ação e suspense (atípico de muita coisa que Amado escreveu depois.)

Bebidas Underground

Algumas semanas atrás, Londres elegeu um novo prefeito (desta vez escolheram um cara da direita, Boris Johnson.) O novo prefeito, carinhosamente apelidado de BoJo, resolveu banir bebidas alcólicas em todos os meios de transporte público, na esperança de diminuir um pouco a onda de crimes que vem assolando a capital inglesa.

Quem mora em Londres sabe que o problema da cidade não tem muito a ver com o álcool; tem a ver sim com problemas entre gangues de adolescentes que vivem se enfrentando e se matando a facadas por causa de disputas de territórios, entre outras bobagems. Na verdade, Londres ficou conhecida nos últimos tempos como uma grande cidade para sair e se divertir à noite exatamente porque existia este lado relaxado. Estava cada vez mais virando uma Amsterdam… mas agora com este prefeito suburbano da direita, parece que estamos na beira de um retrocesso.

A nova lei que proíbe a bebida alcoólica nos meios de transporte entra em vigor no dia 1 de Junho. Pessoas no Facebook, e por e-mail, resolveram se juntar e combinar uma festa no dia 31 de Maio, no Underground londrino, para celebrar (e tirar um pouco de sarro do novo prefeito) o último dia permitindo bebedeira nos trems, sem medo da polícia. Todos devem, de preferência, vir vestidos com roupas formais (tipo festa de salão – smoking, black tie, etc.) e se encontrarem na plataforma da linha Circle, às nove da noite, na estação Liverpool Street.

Mais informações no site Last Orders on the Underground.

Uma amiga vai levar dois frascos de Southern Comfort com Coca Cola para dividir comigo. Acho que vou tirar aquele velho terno do armário e engraxar meus sapatos de couro preto.

Enquanto a economia Americana balança na beira da recessão, e a Inglaterra batalha contra seus próprios problemas econômicos, é fácil de esquecer que algumas partes do mundo estão crescendo. Bem vindo ao Brasil.
- Gillian Lacey-Solymar, Business correspondent, BBC Newsnight, São Paulo. Reportagem (em inglês)

Faz um tempo que venho percebendo o crescimento (e popularidade) do Brasil no exterior, particularmente aqui na Inglaterra. Posters fazendo propagandas do Brasil; a popularidade das sandálias havaianas, da comida brasileira, da música; artistas plásticos brasileiros com shows concorridos; e muito mais. Amigos ingleses me perguntam sobre o Brasil, interessados em passarem as férias lá; e os que vão, voltam maravilhados. Em outras palavras, o Brasil está num momento bom.

A reportagem aponta aqueles problemas de sempre – pobreza, favelas, etc – mas o tom é, em geral, bem positivo. Fico imaginando se um dia pensarei em voltar ao Brasil pois as condições de trabalho e vida serão melhores lá do que aqui no exterior. Tomara que sim!

Agora só falta passarem uma lei que possibilite meu namorado voltar comigo, para que possamos morar juntos no Brasil sem problemas com a lei.

Edir Macedo com seu dinheiro

A cada dia cresce mais o poder da Igreja Universal do Reino de Deus. Com o passar de cada ano, eles constroem mais igrejas, compram mais televisões, empresas… logo logo, serão uma das maiores corporações brasileiras (mas o tipo que destroe o espírito ao invés do meio-ambiente.)

O povo brasileiro, infelizmente, é um povo bundão. Fica lá sentado, sem fazer nada, deixando este mal crescer (da mesma maneira que tolerou a ditadura militar por tantos anos). Prefere um sambinha, uma prainha, ao invés de batalhar por uma sociedade melhor. É claro que muitos lutam, tentam mostrar a verdade e impedir o crescimento desta corja, mas infelizmente acho que a maioria da população não esta nem ai. Um dia (espero que este dia nunca chegue) quando tivermos um presidente evangélico, o que faremos? Quando perdermos a liberdade de expressão, quando os homosexuais forem perseguidos “em nome da religião”, o que faremos? Quando perdermos o nosso charme brasileiro, que nos faz especial ao olhos do mundo, para um bando de cristãos apaixonados pelo dólar, o que faremos?

Povo brasileiro, abra os olhos antes que seje tarde demais.

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Roteiro

Cenas do Próximo Capítulo

Roque Santeiro Anos 80

Casal

Luís Roque Duarte

Viúva briguenta

Porcina come galinha

Roberto Mathias e Linda Bastos

Malta

Lobisomem Ataca Ninon

A Viúva Sorri

Malta Sorri

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