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Se inspirando no personagem de Dias Gomes, cantora magrela resolveu sair de casa usando vários cordões ao mesmo tempo.
Dona de um estilo único, agora a feiosa Amy Winehouse aderiu aos cordões dourados. Muitos deles. Na noite desta segunda-feira, 7, ela foi flagrada pelo jornal The Sun nas ruas de Londres com um look que lembra o estilo do personagem Zé das Medalhas, da novela “Roque Santeiro”. Quem sabe seu próximo CD terá influência do som brega de Wando. A cantora, que ainda usava brincos enormes, adotou o visual extravagante para ir à casa de um amigo, o fotógrafo americano Blake Wood. (Foto: Reprodução/ The Sun)
Vi no EGO.

Fosca, The Painted Side of the Rocket, 2008
Recebi hoje um pacote com o terceiro, e mais recente, álbum da banda pop inglesa Fosca. A capa mostra os portões do que parece ser uma residência chique (ou talvez um colégio interno? Um castelo?) Os membros da banda são como pessoas sentadas do lado de fora destes portões, com os pés na sarjeta, planejando várias frases de efeito que machucarão as pessoas privilegiadas do outro lado. Eles tem um som bem indie anos 80, com letras que lembram os Smiths, garotas nos teclados cantando como se fossem parte do Human League, e guitarras melódicas que lembram a compilação clássica do NME, C86, que representou perfeitamente o som indie daquela década. Hoje em dia, com tantas bandas de rock fazendo um joguinho popular, querendo imitar ums aos outros, é um alívio ter uma banda como Fosca, decidida a seguir um rumo diferente - nostálgico, mas único. Não são populares na Inglaterra, oque talvez não seje uma coisa ruim: o Pulp levou quase duas décadas para ser reconhecido como uma das melhores bandas pop dos últimos tempos.
Visite o site da gravadora, para mais informações sobre como comprar o CD. Minhas faixas prediletas são Confused and Proud (que você pode também baixar de graça no site da banda), o melancólico In-Joke for One e Evening Dress at 3pm (uma faixa destinada a virar cover nas mãos do Magnetic Fields).
Dickon Edwards, o líder da banda, tem um blog, assim como a tecladista e backing vocals Rachel Stevenson.
Uma semana à toa em casa, movido pela ansiedade. Desemprego faz isso com a pessoa. Pelo menos fico em casa sem gastar um tostão. Ouço a rádio tocar os hits do momento. Uma estação só toca música de bandas com menos de 25 anos de idade. Outra toca música clássica. Outra é especialista em hits dos anos 80. Pulo de uma estação pra outra, sem encontrar oque quero. Falta originalidade, novidade.
Fim de noite, quinta-feira. Frio lá fora, mas um bafo aqui dentro. Preguiça de abrir as janelas e deixar o oxigênio entrar. Deixei algumas memórias lá fora também e estou com medo delas entrarem e me pegarem de refém. Vai ter sequestro relâmpago.
Lixo na TV, livros que dão sono, horas até a meia noite, um vizinho que bate o pé, um prédio em Londres, uma vista maravilhosa (você nem imagina as luzes que vejo da minha janela), um passeio planejado para este fim de semana (no cemitério ao lado.)
Meu namorado me deu uma câmera fotográfica, Holga 120, de presente de aniversário, Setembro passado. Somente hoje fui mexer com a câmera e aprender a usá-la. Quero tirar fotos no Cemitério Tower Hamlets: de seus túmulos vitorianos; das flores abrochando; do mato; dos corvos; das árvores tristes; dos amigos que me acompanharão.

Mazzy Star, So Tonight That I Might See, 1993
Este é, na minha opinião, um dos álbums mais belos dos anos 90. O título do álbum, traduzido, quer dizer “Para que eu possa ver hoje à noite”. Indica os temas do álbum, que giram em torno de amores perdidos, viagems lúgubres e a busca por uma visão reveladora do ser interior. A banda tinha influências dos ingleses The Jesus and Mary Chain, assim como os americanos The Velvet Underground, fortemente presentes neste álbum. O primeiro single foi também o maior sucesso da banda, Fade Into You. Apareceu numa época em que todas as bandas americanas sofriam por causa da influência do grunge. Hoje em dia, dá para perceber mais o vínculo deles com o blues e o country, com uma pitada gótica.

Hercules and Love Affair, 2008
Hercules and Love Affair brincam com os deuses: os antigos Gregos que aparecem em suas letras, na capa de seu primeiro álbum, e até mesmo no primeiro single Blind (uma melhor homenagem ao Studio 54 não aparecerá este ano); os gays do passado, que reinaram como seres divinos nas pistas de dança dos anos 70 e 80, destinados a um fim trágico; e os que caminham sobre a terra hoje em dia - andrógino Antony, guerreira Nomi, mestre-DJ Frankie Knuckles - destinados a recombinar o passado e encontrar novos fiéis para o Grande Disco Ball. O álbum é uma homenagem ao passado da dance music, começando pela era disco, passando pelo new wave, e terminando no acid house. Os deuses devem estar felizes no céu.
E o prêmio de melhor intérprete da canção Rehab vai para…

…
Se eu naufragasse no Oceano Pacífico, perto de uma ilha deserta qualquer, e tivesse apenas um CD na minha mochila, este CD seria o primeiro álbum da banda inglesa Suede. Este álbum mudou completamente meu gosto musical quando eu tinha 17 anos de idade. Até aquele momento, eu era mais um escravo da Jovem Pan, feliz de dançar para o The Clash ou para a Madonna. Música não significava nada para mim, não representava o que eu era, ou o que eu poderia ser. Tudo mudou com a chegada do Suede. Eles foram responsáveis pelo meu mergulho no mundo indie (independente) Britânico.
Eu morava nesta época em Cingapura com minha família e ainda não tinha assumido minha homosexualidade. “Animal Nitrate”, o terceiro single do álbum, era sucesso nas rádios - talvez porque contava de maneira velada a estória de uma relação gay (coisa ilegal no país), talvez porque emocionasse vários jovems que não tinham direito de conhecer este “outro lado” da vida. Assim que pude, fui a um dos shopping centres na Orchard Road e comprei o CD.
Sou um cara meio melancólico no dia a dia. Preciso de muita energia para ficar empolgado com as coisas, e talvez esta seja a razão pela qual me encaixei direitinho com o clima do álbum. Embora algumas canções, como “The Drowners” e “Metal Mickey”, façam você pular, o álbum é de um modo geral romântico - glamorizando sem piedade a vida dos drogados, dos perdidos, dos apaixonados. Foi graças ao Suede que descobri o Morrissey (eles deram o nome à banda em homenagem a sua canção “Suedehead”). Na época, comecei a investigar este personagem chamado Morrissey e descobri que uma das minhas canções prediletas na infância, “The Boy With The Thorn In His Side“, era da sua banda The Smiths. Vi neste dia o Cupido botar veneno em sua flecha e almejar meu coração. Nascia uma obsessão.
As faixas do primeiro álbum do Suede (com links aos vídeos no YouTube):
- “So Young“
- “Animal Nitrate“
- “She’s Not Dead“
- “Moving“
- “Pantomime Horse“
- “The Drowners“
- “Sleeping Pills“
- “Breakdown”
- “Metal Mickey“
- “Animal Lover”
- “The Next Life“

A banheira é o melhor lugar para se escutar um novo CD. Não temos janela no banheiro do meu apartamento; então me aproveito da escuridão para acender uma vela quando relaxo na água. Presto melhor atenção na música quando estou nas trevas, somente uma vela a me guiar.
Toma o último álbum dos Raveonettes, Lust, Lust, Lust, por exemplo. Ele foi gravado como música de câmara - um som de garage rock feito para ser escutado em lugares pequenos e fechados. Parece uma homenagem aos anos 50; uma estória de fantasmas contada em várias canções, a vida e a morte da nostalgia rockabilly. A última canção, com sua melodia roubada da série de TV Twin Peaks, diz tudo. Percebi como o CD era genial somente dentro da banheira; talvez não teria sentido o mesmo se tivesse me baseado no som ouvido na sala.
De agora em diante, vou tentar ouvir todos meus CDs novos dentro do banheiro. Quero ver se o efeito é o mesmo, se outras paixões emplacam. Próximo na lista: Transformer de Lou Reed.
- The Raveonettes - Dead Sound
- The Raveonettes - Black Satin (ao vivo)

Estou adorando o novo LP da banda britânica Girls Aloud. Sei que o Bruno, se estivesse aqui, ficaria chocado comigo. Oh well! Fui seduzido pelo pop perfeito das mocinhas e não a nada neste mundo que possa mudar minha opinião.
O nome do LP é Tangled Up. Os primeiros singles são Sexy! No No No e Call The Shots.

Assisti a meu primeiro filme de Bruce LaBruce: The Raspberry Reich. LaBruce pega uma estória fraquinha de terroristas da extrema esquerda e adiciona pornografia e propaganda revolucionária. Ele cobre uma parede, por exemplo, com uma imagem gigante de Che Guevara e filma um jovem de etnia ambígua encostado perto, se masturbando; ou ele filma dois homems se beijando, sem camiseta, numa praça para a raiva e surpresa de alemães passando por ali. O filme, de uma hora e meia, está repleto de péssimo diálogo, slogans para todos os lados (”A Intifada Homosexual”, “A Revolução é Meu Namorado”), e várias situações onde os atores podem demonstrar sua experiência na indústria pornográfica gay.
Nós assistimos a versão softporn, onde uma cena de sexo oral entre um terrorista e seu refém é coberto por uma foto de Tony Blair e o slogan “Bliar”; ou uma cena entre a líder dos terroristas e seu namorado é censurada por uma das várias frases idióticas de George Bush Jr. Pensei que seria o tipo de filme que me encheria o saco, mas acabei sendo seduzido por seu humor juvenil.
As influências de Andy Warhol e John Waters estão presentes, assim como as influências em outros artistas (a banda Stereo Total, se inspirou no filme para uma faixa no seu novo álbum). Por um lado, o filme é leve demais (na medida do possível num porno) e quase sentimental. Mas, por outro lado, seu humor em relação à política, especialmente em se tratando dos direitos dos homosexuais, é incrivelmente engraçado. Eu gostaria de entender um pouco mais do assunto mas não conheço suficientemente bem a história do cinema gay para entender todas suas influências.
De acordo com LaBruce, os alemães são blasé com a pornografia - várias celebridades participam em filmes do tipo sem a imprensa se escandalizar. Ao mostrar a pornografia como um galho da comédia política, dentro de uma sociedade progressiva como a alemã, LaBruce arranca a máscara assustadora do porno e lhe mostra como uma fonte genuína de humor. Não é nada novo no mundo porno (como pode ser visto, por exemplo, nos títulos de vários filmes - “Forest Hump” ou “I Know Who You Blew Last Summer”), mas é uma idéia nova quando penso em suas implicações (e aplicações) ao cinema popular.
No último capítulo de Roque Santeiro, o público finalmente descobriu quem era o lobisomem: Professor Astromar. Aqui está o video que assustou muitas crianças na época:
Interessante como um crucifixo aparece no final, quando a transformação do Professor se completa. Hoje em dia, Professor Astromar é com certeza pastor em alguma Igreja Universal do Reino de Deus.
Aqui vai a segunda (e última) trilha sonora de Roque Santeiro. Como anteriormente, links foram providenciados para vídeos encontrados no YouTube.

01. MALANDRO SOU EU - Beth Carvalho (tema de Roque)
02. COISAS DO CORAÇÃO - Ritchie (tema de Tânia)
03. PELO SIM PELO NÃO - Cláudio Nucci e Zé Renato (tema de Sinhozinho Malta)
04. VITORIOSA - Ivan Lins (tema de Lulu)
05. FRUTA MULHER - Nana Caymmi (tema de Matilde)
06. VERDADES E MENTIRAS - Sá e Guarabira (tema de locação)
07. MIL E UMA NOITES DE AMOR - Pepeu Gomes (tema de Linda Bastos e Gerson)
08. A HORA E A VEZ - Cláudio Nucci e Zé Renato (tema de Porcina)
09. MAL NENHUM - Joanna (tema de Ninon e Delegado Feijó)
10. ENTRA E SAI DE AMOR - Altay Veloso (tema de Tânia e Padre Albano)
11. AMPARITO AMOR - Cauby Peixoto (tema de Amparito Hernandez)
12. MAL DE RAIZ - MPB4 (tema de Mocinha)
Que eu saiba, Roque Santeiro foi uma das únicas novelas brasileiras a lançar duas trilhas sonoras nacionais (geralmente, a segunda contêm artistas internacionais). Minha mãe comprou os dois LPs na época, e lhes tocava sem parar em casa. Estas trilhas me lembram verões na praia; e também o som vindo do barzinho na beira da piscina do nosso condomínio de prédios em São Paulo.
Aqui vai a lista da primeira trilha sonora:

01. ISSO AQUI TÁ BOM DEMAIS - Dominguinhos (partic. especial Chico Buarque) (tema de Sinhozinho Malta)
02. A OUTRA - Simone (tema de Lulu)
03. SEM PECADO E SEM JUIZO - Baby Consuêlo (tema de Linda Bastos e Gerson)
04. CHORA CORAÇÃO - Wando (tema de Mocinha)
05. MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE - Zé Ramalho (tema do lobisomem)
06. SANTA FÉ - Moraes Moreira (tema de abertura)
07. DONA - Roupa Nova (tema de Porcina)
08. DE VOLTA PRO ACONCHEGO - Elba Ramalho (tema de Roque)
09. INDECENTE - Anne Duá (tema de Matilde)
10. CORAÇÃO APRENDIZ - Fafá de Belém (tema de Tânia)
11. ROQUE SANTEIRO - Sá e Guarabyra (tema de locação)
12. CÓPIAS MAL FEITAS - Alceu Valença (tema de Zé das Medalhas)
Infelizmente (ou felizmente?) não encontrei a maioria dos vídeos no YouTube (o resto você assiste seguindo os links acima). Faça figadas que eu encontre os vídeos para a segunda trilha sonora.











