You are currently browsing the category archive for the 'Música' category.

Aqui em Londres não tem roça de melancia. As que eles vendem nos mercadinhos perto de casa parecem não ter gosto de nada – ou então carregam um sabor de fruta velha. Viajam para a Inglaterra de outros países, outros continentes – onde as roças não sofrem tantos meses de frio pelo ano.
Uma vez visitei uma cartomante no Cinco Conjuntos, Londrina. Ela me recomendou poemas escritos no século 19 por um escravo brasileiro. Ou era um romance? Não me lembro mais – sei que era uma obra prima (hoje esquecida), daquelas que te surpreendem quando descrevem dois homens se beijando. Nada que conseguisse entrar no folclore brasileiro hoje em dia.
A melancia era a fruta predileta do Michael Jackson. Também é a minha – a única coisa que temos em comum.
Uma música de Chris Brown (aquele que bateu na Rihanna e quase acabou em cana) voltou ao topo das paradas graças a um vídeo no YouTube. Um casal Americano resolveu usar a canção na sua cerimônia de casamento e agora ele está vendendo horrores.
Alguém chegou neste blog procurando Chris Brown de cueca. Não posso lhe oferecer muito mais que isso, mas se tiver sorte em outras praias, me avise! Ou então escreva para Rihanna e pergunte que tipos de cueca ele gosta de usar. Branquinhas? Sunguinhas? Samba canção? Ou ele sai de casa sem nada mesmo em baixo das calças?
Quando Forever toca na rádio da minha academia, eu penso no casamento daqueles Americanos. Penso nos loiros de olhos azuis escondidos atrás de óculos escuros, dançando dentro da igreja. Penso em beijos entre amigas e pombos voando pelo céu azul. Aqui vai o vídeo original:

Morrissey
Fui assistir ontem ao show de Morrissey em Brixton (um bairro na Zona Sul de Londres). Por coincidência, era o 4º aniversário da morte de Jean Charles de Menezes. Durante o show, Morrissey virou para a audiência e disse:
“Jean Charles de Menezes, nós nunca esqueceremos. Nunca, nunca, nunca.”
Brixton fica perto de Stockwell, onde Jean foi assassinado pela polícia inglesa quatro anos atrás.
Me emocionei com a homenagem de Morrissey porque percebi que ele está atento aos brasileiros que moram aqui e esta grande injustiça perpetrada pelas cortes inglesas. O show foi excelente, misturando músicas da sua carreira solo com as do The Smiths. Sou fã dele desde minha adolescência (já faz mais de vinte anos!) e o show ontem me lembrou por que lhe adoro e continuo a acompanhar sua carreira.
Um clipe do show:

God Help The Girl, 2009
Deus ajude este garoto e sua carteira quando música tão suave e cheia de alma, cantada por três moças, aparece por sua frente. Deus ajude este garoto e seu cinicismo que não consegue resistir a este estilo de som (uma mistura de Julie Andrews, The Carpenters, Serge Gainsbourg e The Magnetic Fields). Deus ajude este garoto e seu amor eterno pela banda escocesa Belle and Sebastian, responsáveis pela criação de God Help The Girl. Deus ajude este garoto e sua grana, novamente, quando o filme ligado a God Help The Girl estrear no começo do ano que vem (2010). (Quem sabe o filme não aparece num cinema mais em conta, perto de sua casa?)

Crystal Stilts, Departure, Feb 2009
Mal chegou a primavera e ja estou preocupado com o outono, graças a banda Americana Crystal Stilts. Deve ter alguma coisa na água de Brooklyn – muita música interessante tem saído deste bairro Nova Iorquino nos últimos anos. Embora Crystal Stilts carreguem uma lista enorme de influências – Joy Division, Jesus & Mary Chain, Velvet Underground e House of Love – conseguem embrulhar tudo de uma maneira nostálgica e charmosa sem roubar idéias de suas influências. “Departure” me lembra também de uma banda brasileira dos anos 80, Violeta de Outono, com suas melodias sonhadoras, letras psicodélicas e um ritmo dark por baixo de tudo. O lado-b, “Prismatic Room”, lembra Mazzy Star e The Doors. Imagino que os integrantes do grupo tem cabelos pretos e franjinhas estilo anos 60.

Lobisomem
Originally uploaded by Roque Santeiro
Na pequena cidade de interior abriu uma boate de dançarinas sensuais. O acontecimento escandalisou os religiosos – a moral sagrada e popular do lugar. Às escondidas, os maridos e filhos da cidade celebraram a novidade; visitavam a casinha rosa quando podiam para ver as duas dançarinas recém chegadas mostrarem seus corpos ao som de Você Me Incendeia, um hit do momento.
As duas moças pareciam irmãs gêmeas na maneira que se portavam, na altura de seus corpos, nas suas risadas e sorrisos. No entanto, suas personalidades eram diferentes. Uma adorava a cor vermelha e os véus; era loira e um tanto séria. A outra preferia roupas justas e saltos altos; tinha pouco juízo.
Antes da platéia chegar, se vestiam num pequeno camarim atrás do palco. Aplicavam perfumes atrás das orelhas, nos punhos e nas solas dos pés; tinham ouvido dizer que isso dava sorte. Da porta do camarim, a dona da boate as observava como uma mãe. Lhes desejava boa sorte todas as noites antes de subirem ao palco.
Mal sabiam as duas dançarinas que uma maldição pairava sobre a cidade: uma criatura que andava as ruas desertas nas noites de lua cheia. Das sombras, esta criatura – um lobisomem – as espreitavam quando os shows terminavam e a boate esvaziava. A lua era a única testemunha de como ele cobiçava por tanta carne fresca. Babava feito pastor de igreja evangélica quando vê dinheiro. Delícia de tentação!
O lobisomem tinha que se aproveitar da noite para atacar; tinha que agarrar uma das moças e lhe levar aos fundos do cemitério antes do sol raiar. Com a chegada da alvorada, a maldição dissipava como uma névoa seca. O dia trazia sua normalidade que fazia os perigos da noite parecerem pesadelos de crianças. No entanto, o desejo ficava… escondido no fundo da alma até a lua cheia voltar.
Ele nos visitou por cinco dias. Quando foi embora, meu namorado percebeu que ele havia esquecido um moletom no quarto de visitas: azul com duas listras amarelas, zipper, e o nome da cidade alemã Münster na frente. Lhe mandei um e-mail pedindo seu endereço em Frankfurt (onde mora a alguns anos) para eu poder lhe mandar o moletom por correio. Até agora, nada de resposta.
Quando caminho pelos canais de Londres à noite, música do meu iPod entrelaçando meus pensamentos, me lembro de quando eramos adolescentes. De como ele era lindo, e o quanto eu o amava. Ele ainda tem seu charme quinze anos depois, e muitas mulheres não conseguem lhe resistir. Quando ele está por perto, tenho as minhas defesas, a minha maneira de me proteger. Mas quando ele está longe, as músicas nostálgicas (The Smiths, Suede) que criaram nossa amizade me fazem lembra-lo como uma figura romântica e irreal. Nos canais londrinos vive minha imaginação.
Estou passeando no Brasil, curtindo minhas memórias dos anos 80 (especialmente quando ouço a rádio Globo FM). Aqui vai o clipe “Tudo Pode Mudar” da banda Metrô:











