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Algumas semanas atrás, Londres elegeu um novo prefeito (desta vez escolheram um cara da direita, Boris Johnson.) O novo prefeito, carinhosamente apelidado de BoJo, resolveu banir bebidas alcólicas em todos os meios de transporte público, na esperança de diminuir um pouco a onda de crimes que vem assolando a capital inglesa.
Quem mora em Londres sabe que o problema da cidade não tem muito a ver com o álcool; tem a ver sim com problemas entre gangues de adolescentes que vivem se enfrentando e se matando a facadas por causa de disputas de territórios, entre outras bobagems. Na verdade, Londres ficou conhecida nos últimos tempos como uma grande cidade para sair e se divertir à noite exatamente porque existia este lado relaxado. Estava cada vez mais virando uma Amsterdam… mas agora com este prefeito suburbano da direita, parece que estamos na beira de um retrocesso.
A nova lei que proíbe a bebida alcoólica nos meios de transporte entra em vigor no dia 1 de Junho. Pessoas no Facebook, e por e-mail, resolveram se juntar e combinar uma festa no dia 31 de Maio, no Underground londrino, para celebrar (e tirar um pouco de sarro do novo prefeito) o último dia permitindo bebedeira nos trems, sem medo da polícia. Todos devem, de preferência, vir vestidos com roupas formais (tipo festa de salão - smoking, black tie, etc.) e se encontrarem na plataforma da linha Circle, às nove da noite, na estação Liverpool Street.
Mais informações no site Last Orders on the Underground.
Uma amiga vai levar dois frascos de Southern Comfort com Coca Cola para dividir comigo. Acho que vou tirar aquele velho terno do armário e engraxar meus sapatos de couro preto.
Enquanto a economia Americana balança na beira da recessão, e a Inglaterra batalha contra seus próprios problemas econômicos, é fácil de esquecer que algumas partes do mundo estão crescendo. Bem vindo ao Brasil.
- Gillian Lacey-Solymar, Business correspondent, BBC Newsnight, São Paulo. Reportagem (em inglês)
Faz um tempo que venho percebendo o crescimento (e popularidade) do Brasil no exterior, particularmente aqui na Inglaterra. Posters fazendo propagandas do Brasil; a popularidade das sandálias havaianas, da comida brasileira, da música; artistas plásticos brasileiros com shows concorridos; e muito mais. Amigos ingleses me perguntam sobre o Brasil, interessados em passarem as férias lá; e os que vão, voltam maravilhados. Em outras palavras, o Brasil está num momento bom.
A reportagem aponta aqueles problemas de sempre - pobreza, favelas, etc - mas o tom é, em geral, bem positivo. Fico imaginando se um dia pensarei em voltar ao Brasil pois as condições de trabalho e vida serão melhores lá do que aqui no exterior. Tomara que sim!
Agora só falta passarem uma lei que possibilite meu namorado voltar comigo, para que possamos morar juntos no Brasil sem problemas com a lei.
O artista austríaco Hans Schabus tem um show no momento no centro de artes Barbican, chamado Next Time I’m Here, I’ll Be There (Da próxima vez que estiver aqui, estarei lá.) Ele gosta de explorar a idéia de jornadas fictícias e a natureza transiente do espaço público.
Para seu primeiro show no Reino Unido (Londres), reuniu cadeiras do centro de artes Barbican e as colocou na parede, como se fossem cadeiras de um grande avião. Lembra um pouco aquela cena do filme 2001: Uma Odisséia no Espaço, quando um dos astronautas faz cooper dentro da aeronave.






Encontrei esta foto Sexta-feira passada, perto de uma máquina de xerox, numa universidade aqui em Londres. O nome da moça está escrito atrás da foto. Imagino que ela estava fazendo cópias de algum documento, para ser usado juntamente com a foto, e acabou esquecendo este aqui perto da máquina.
Conforme eu for encontrando fotos aqui em Londres (seja na rua, numa loja, num shopping, num restaurante) vou lhes adicionar a este blog. Espero que da próxima vez eu encontre uma foto mais antiga, mais panorâmica.

Se inspirando no personagem de Dias Gomes, cantora magrela resolveu sair de casa usando vários cordões ao mesmo tempo.
Dona de um estilo único, agora a feiosa Amy Winehouse aderiu aos cordões dourados. Muitos deles. Na noite desta segunda-feira, 7, ela foi flagrada pelo jornal The Sun nas ruas de Londres com um look que lembra o estilo do personagem Zé das Medalhas, da novela “Roque Santeiro”. Quem sabe seu próximo CD terá influência do som brega de Wando. A cantora, que ainda usava brincos enormes, adotou o visual extravagante para ir à casa de um amigo, o fotógrafo americano Blake Wood. (Foto: Reprodução/ The Sun)
Vi no EGO.

Fosca, The Painted Side of the Rocket, 2008
Recebi hoje um pacote com o terceiro, e mais recente, álbum da banda pop inglesa Fosca. A capa mostra os portões do que parece ser uma residência chique (ou talvez um colégio interno? Um castelo?) Os membros da banda são como pessoas sentadas do lado de fora destes portões, com os pés na sarjeta, planejando várias frases de efeito que machucarão as pessoas privilegiadas do outro lado. Eles tem um som bem indie anos 80, com letras que lembram os Smiths, garotas nos teclados cantando como se fossem parte do Human League, e guitarras melódicas que lembram a compilação clássica do NME, C86, que representou perfeitamente o som indie daquela década. Hoje em dia, com tantas bandas de rock fazendo um joguinho popular, querendo imitar ums aos outros, é um alívio ter uma banda como Fosca, decidida a seguir um rumo diferente - nostálgico, mas único. Não são populares na Inglaterra, oque talvez não seje uma coisa ruim: o Pulp levou quase duas décadas para ser reconhecido como uma das melhores bandas pop dos últimos tempos.
Visite o site da gravadora, para mais informações sobre como comprar o CD. Minhas faixas prediletas são Confused and Proud (que você pode também baixar de graça no site da banda), o melancólico In-Joke for One e Evening Dress at 3pm (uma faixa destinada a virar cover nas mãos do Magnetic Fields).
Dickon Edwards, o líder da banda, tem um blog, assim como a tecladista e backing vocals Rachel Stevenson.
Uma semana à toa em casa, movido pela ansiedade. Desemprego faz isso com a pessoa. Pelo menos fico em casa sem gastar um tostão. Ouço a rádio tocar os hits do momento. Uma estação só toca música de bandas com menos de 25 anos de idade. Outra toca música clássica. Outra é especialista em hits dos anos 80. Pulo de uma estação pra outra, sem encontrar oque quero. Falta originalidade, novidade.
Fim de noite, quinta-feira. Frio lá fora, mas um bafo aqui dentro. Preguiça de abrir as janelas e deixar o oxigênio entrar. Deixei algumas memórias lá fora também e estou com medo delas entrarem e me pegarem de refém. Vai ter sequestro relâmpago.
Lixo na TV, livros que dão sono, horas até a meia noite, um vizinho que bate o pé, um prédio em Londres, uma vista maravilhosa (você nem imagina as luzes que vejo da minha janela), um passeio planejado para este fim de semana (no cemitério ao lado.)
Meu namorado me deu uma câmera fotográfica, Holga 120, de presente de aniversário, Setembro passado. Somente hoje fui mexer com a câmera e aprender a usá-la. Quero tirar fotos no Cemitério Tower Hamlets: de seus túmulos vitorianos; das flores abrochando; do mato; dos corvos; das árvores tristes; dos amigos que me acompanharão.
Recebi um cartão do correio me notificando que estavam guardando um pacote para mim. Tentei ir ontem, mas a fila gigante não batia com minha paciência. Voltei hoje e resolvi enfrentar a fila. O indiano no balcão me pergunta se sei qual o tamanho do pacote. Não sei nem quem me mandou tal surpresa! Ele procura por todos os lados - depois de checar minha identidade e comprovante de endereço - e no fim encontra o pacote, todo embalado com papel do correio brasileiro. Sei imediatamente que é presente de minha mãe.
Saio do correio com o pacote na mão. Viro a esquina e corto o esparadrapo com a chave de casa. Dentro, encontro um cartão me desejando feliz Páscoa (com uma pintura dos três reis magos viajando a camelo por um deserto), uma carta da minha universidade no Canadá, e vários bomboms Sonho de Valsa! Que delícia… um pedacinho do Brasil nas minhas mãos. Mato as saudades com apenas a memória destravada por um chocolate.
Os pássaros estão voando para o norte. Cai chuva em Londres; uma cortina fria pega tudo pelas ruas; desaparece o horizonte. Será que os aviões vêem as luzes dos arranha-céus? Uma cor cinza, triste, cobrindo tudo. O vento quer entrar no apartamento e apagar as lâmpadas, eliminar a música. O aquecedor está ligado - nossos reforços deste lado.
Uma amiga está hospitalizada a mais de seis semanas. Vai morrer de câncer. Dizem que não sai mais de lá. Lhe escrevi duas cartas; não tenho coragem de ir lhe visitar. O namorado mandou dizer que ela gostou das cartas. Às vezes não consigo dormir à noite; fico pensando nela. Tento rezar, lhe mandar força - lhe mandar tudo de bom que posso imaginar. Ela realmente não merecia morrer tão jovem (nem tem quarenta anos).
Vou entrar debaixo das cobertas e só sair na Segunda-feira.
Sempre carrego comigo uma carteira preta que comprei em Montreal, estampada com a banana que aparece no primeiro álbum do Velvet Underground. Também não largo do celular e das chaves de casa. Na maioria das vezes, levo uma mochila comigo se vou passar bastante tempo na rua. A melhor maneira de lidar com o transporte de Londres é carregar um livro ou jornal na mochila, para ler nos momentos em que o ônibus está preso no trânsito, o trem emperrado no túnel.
Neste inverno, não saí de casa sem minhas luvas de lã; fez muito frio. E o guarda-chuva fez muitas participações especiais também, graças ao tempo terrível que vem assolando a ilha britânica nestes últimos meses. Parece que este inverno não tem fim.
Dizem que o brasileiro é o povo que tem mais dificuldade de se adaptar fora do Brasil. Quando morava no Canadá, quase não encontrava brasileiros por lá; achava que evitavam o país porque tinham dificuldade em lidar com a neve e o frio (que pode chegar a menos de 30 graus). Aqui em Londres, os poucos brasileiros que conheço vivem reclamando da cidade, dos Ingleses, do tempo sempre fechado; morrem de saudades do Brasil (mas ao mesmo tempo só voltam pra terrinha se for na marra.) Eles não tem paciência com a cidade.
O segredo de viver uma vida boa aqui: encontrar um bairro decente para morar, um grupo de amigos por perto, um trabalho que seje OK, e aproveitar tudo que a cidade tem para oferecer (parques, museus, shows, etc.) Praia, somente uma vez por ano, no Brasil.

Encontrei esta foto na rua Bethnal Green, no dia 2 de Fevereiro. Tinha ido acompanhar uma amiga a um caixa eletrônico quando o vi na calçada. Bethnal Green é um bairro tradicionalmente bangladeshiano; talvez este homem tinha acabado de chegar em Londres e estava retirando dinheiro do caixa quando a foto caiu de sua carteira; talvez estava à caminho de algum outro bairro.
Estas marcas vermelhas na foto são o símbolo do London Underground, o transporte público Londrino para os trens e metro da cidade. Esta foto provavelmente foi usada para uma carteira de transporte mensal ou anual.
Colei no meu diário. Ficará por lá até o dia que encontrar outra foto para lhe fazer companhia.
Todos na Inglaterra bebem chá preto. Com leite, sem leite, doce, sem enfeites. Prefiro o café. Preciso do café. Duas colheres açucaradas e aquela espuminha coberta de flocos de chocolate. Somente assim consigo começar meu dia, somente assim consigo quebrar a timidez do primeiro encontro.
Chá verde é antioxidante. Dizem que café e chá preto envelhecem. Não sei se é verdade. Vou começar outra guerra pelo meu direito de venerar os grãos negros. E vou matar o deus que proibiu a queda de neve nesta cidade - prometeu e não compriu. Fiquei esperando como típico brasileiro trouxa.
As previsões são para neve cair em Londres neste fim de semana. Está um frio do caralho lá fora; vai ser aquela noite de pipoca, filme e sono profundo.
Quero acordar com a cidade em branco, e um céu ensolarado.

…
Se eu naufragasse no Oceano Pacífico, perto de uma ilha deserta qualquer, e tivesse apenas um CD na minha mochila, este CD seria o primeiro álbum da banda inglesa Suede. Este álbum mudou completamente meu gosto musical quando eu tinha 17 anos de idade. Até aquele momento, eu era mais um escravo da Jovem Pan, feliz de dançar para o The Clash ou para a Madonna. Música não significava nada para mim, não representava o que eu era, ou o que eu poderia ser. Tudo mudou com a chegada do Suede. Eles foram responsáveis pelo meu mergulho no mundo indie (independente) Britânico.
Eu morava nesta época em Cingapura com minha família e ainda não tinha assumido minha homosexualidade. “Animal Nitrate”, o terceiro single do álbum, era sucesso nas rádios - talvez porque contava de maneira velada a estória de uma relação gay (coisa ilegal no país), talvez porque emocionasse vários jovems que não tinham direito de conhecer este “outro lado” da vida. Assim que pude, fui a um dos shopping centres na Orchard Road e comprei o CD.
Sou um cara meio melancólico no dia a dia. Preciso de muita energia para ficar empolgado com as coisas, e talvez esta seja a razão pela qual me encaixei direitinho com o clima do álbum. Embora algumas canções, como “The Drowners” e “Metal Mickey”, façam você pular, o álbum é de um modo geral romântico - glamorizando sem piedade a vida dos drogados, dos perdidos, dos apaixonados. Foi graças ao Suede que descobri o Morrissey (eles deram o nome à banda em homenagem a sua canção “Suedehead”). Na época, comecei a investigar este personagem chamado Morrissey e descobri que uma das minhas canções prediletas na infância, “The Boy With The Thorn In His Side“, era da sua banda The Smiths. Vi neste dia o Cupido botar veneno em sua flecha e almejar meu coração. Nascia uma obsessão.
As faixas do primeiro álbum do Suede (com links aos vídeos no YouTube):
- “So Young“
- “Animal Nitrate“
- “She’s Not Dead“
- “Moving“
- “Pantomime Horse“
- “The Drowners“
- “Sleeping Pills“
- “Breakdown”
- “Metal Mickey“
- “Animal Lover”
- “The Next Life“
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Neste último final de semana aconteceu o lançamento do romance de horror Filth Kiss, de C.J. Lines. Esta notícia é importante pelos seguintes motivos: C.J. Lines é meu amigo ; este é seu primeiro livro; e este romance é imperdível!
Se você gosta de estórias de terror, e sabe ler em Inglês, visite seu site no Amazon para encomendar o livro. Você pode visitar o site da editora também para maiores informações. O ISBN do livro é 978-0955031458, caso queira encomendar de uma livraria.
Quando chega o inverno em Londres, não tem coisa melhor do que passar a noite lendo livros de suspense. Quem sabe um dia eu não traduzo Filth Kiss para o Português.

Estou adorando o novo LP da banda britânica Girls Aloud. Sei que o Bruno, se estivesse aqui, ficaria chocado comigo. Oh well! Fui seduzido pelo pop perfeito das mocinhas e não a nada neste mundo que possa mudar minha opinião.
O nome do LP é Tangled Up. Os primeiros singles são Sexy! No No No e Call The Shots.
Olha o que acontece quando torcedores Ingleses enchem a cara e resolvem brincar de tobogã no banheiro do estádio:
Já imaginou se a moda pega com as torcidas brasileiras?
Todo brasileiro que vem a Londres pela primeira vez se surpreende com a quantidade de brasileiros vivendo aqui. Em toda esquina parece ter um brasileiro segurando panfleto de escola de inglês, ou falando mal de alguém com quem trabalha/mora. Certos ônibus, como o número 6, vivem cheios de brasileiros falando alto ou fingindo que não são brasileiros. Na Oxford Street, uma das áreas mais movimentadas da cidade, tem um restaurante brasileiro; e vários mercadinhos espalhados pela cidade vendem produtos típicos - como Toddy e farofa - para a galera matar saudade da terrinha.
No Brasil, estamos acostumados a pensar em nossos compatriotas como pessoas amigáveis, mas quando o brasileiro sai do Brasil, tende a se fechar e ficar na sua, ou usar outros brasileiros para pedir informação ou emprego. Cansei de estar na rua, conversando com amigo brasileiro, para ser de repente interrompido por um carioca procurando banheiro ou baiano procurando loja de sapato. Talvez sintam mais confiança na ajuda de alguém que compartilhe a língua nativa do que num inglês de cara fechada.
Brasileiro tem pra todo lado, mas os bairros com maiores concentrações são Kensal Rise e Clapham. Quando o Brasil venceu a Copa, milhares de brasileiros se juntaram no centro da cidade e comemoraram em Trafalgar Square, pulando inclusive na fonte da praça. Dizem que Londres tem uma das maiores concentrações de brasileiros fora do Brasil. Certamente não me surpreenderia.
Hoje, cheguei em casa com vontade de ligar a TV e assistir novela. O inverno chegou, trazendo a escuridão típica de Londres. Nestas horas, fico com saudades do sol trópico, das banalidades das 8 da noite, da energia que temos em abundância no Brasil quando o tempo está bom. Fica difícil encontrar disposição neste frio; e fica mais fácil de entender porque tantos brasileiros no exterior não se desgrudam.
Amanheceu um dia lindo em Londres. Depois de uma semana de chuva e tempo fechado, temos um pouco de sol. Que bom. Um amigo de São Paulo está me visitando no momento; acho que vamos aproveitar este domingo ensolarado para caminhar por Londres - talvez descansar na grama de um parque ou comprar uma cerveja e sentar num bar.
Fomos ontem à Galeria Serpentine, um espaço para exibições de artistas plásticos, situada dentro de Hyde Park. Fomos num grupo grande de brasileiros. O show (Drawing Restraint) era do artista plástico Matthew Barney, marido da cantora Björk. O lugar estava cheio: pessoas bem cheirosas se espremiam para ver vídeos de Matthew pulando e pintando um teto, ou pendurado num navio baleeiro japonês rabiscando num papel. Em outras salas haviam pequenas fotos e desenhos de criaturas mitológicas (algumas usadas no filme Drawing Restraint 9, do mesmo artista), e tambem “esculturas” simulando a caça de baleias.

Ao lado do Serpentine Gallery tem um pavilhão criado pelos arquitetos Olafur Eliasson e Kjetil Thorsen. O filme Drawing Restraint 9 é mostrado dentro do pavilhão durante certas horas do dia. Infelizmente não chegamos a tempo para assisti-lo. Após uma olhada no trabalho de Barney, resolvemos atravessar o parque e sentar num pub em Notting Hill - beber, comer batatinhas salgada e bater papo. Não tem nada mais gostoso que passar uma tarde com um grupo de amigos brasileiros, matando saudade do Brasil.
OzBus é uma nova agência de viagens que promove viagens de ônibus entre Londres e Sydney, Australia. O primeiro ônibus partiu de Londres no dia 16 de Setembro, carregando pessoas de várias idades e profissões, incluindo uma jornalista do Guardian. A cada duas semanas, esta jornalista escreverá uma reportagem detalhando o progresso da viagem. A primeira parte de sua reportagem está aqui.
Seria demais fazer uma viagem destas. A idéia de ficar sentado por 84 dias não me agrada mas, em compensação, quantas pessoas interessantes e aventuras devem estar no calendário destes passageiros. Em viagens deste tipo, as pessoas logo ficam amigas, ajudam umas as outras, se apaixonam, trocam massagens, etc. Se aprende muito sobre pessoas que vem de mundos diferentes do seu, sem contar as centenas de pessoas que você acaba conhecendo pelos países que vai passando.

Estou no momento desempregado. Para quem já visitou e conhece Londres, deve saber o sufoco que estou passando nesta cidade, considerada por muitos como a cidade mais cara do planeta. Enquanto aguardo agências de emprego retornarem meus telefonemas e tento não gastar dinheiro, tenho usado minhas manhãs para caminhar pelas ruas do meu bairro e observar um pouco mais a cidade.
Moro em Mile End, zona leste da cidade. Da minha janela, décimo primeiro andar de uma torre cinza, avisto o Victoria Park, os arranha-céus de Liverpool Street Station e Canary Wharf, as casas idênticas que chegam ao horizonte. Ao caminhar em direção de Bethnal Green, passo por açougues, escritórios imobiliários, cafés, restaurantes libaneses e indianos, e até mesmo um centro Budista (que, aliás, tem um restaurante vegetariano muito gostoso.)
Recentemente, me sentei num banco de praça perto da estação Bethnal Green. Enquanto esperava uma amiga chegar, observava as pessoas ao meu redor. Uma mulher de meia idade escrevia numa agendinha; um senhor de idade, de paletó e com um sanduíche embrulhado, tinha pinta de aposentado que mora sozinho e não aguenta ficar sem fazer nada em casa; e um bêbado jovem logo se juntou a nós na praçinha, cambaleando e segurando uma lata de cerveja. Me bateu aquela depressão de estar sentado ali, naquela praça meia suja, sem trabalho, descobrindo a parte da cidade que milhares desconhecem (ou preferem não pensar a respeito) quando fazem sua jornada das nove às cinco.
Carrego comigo, sempre, um caderno e uma caneta. Gosto de sentar em cafés e escrever a respeito da cidade, das pessoas que circulam por Londres, que muitas vezes não parecem saber para aonde estão indo.
Começou a novela. Roque Santeiro não morreu; ele está vivinho da Silva, morando em Londres.












