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Sônia Braga
Escolha genial: convidaram Sônia Braga para fazer o papel de Matilde, a dona do cabaré Sexus. Sônia mora em Nova York no momento mas vai voltar ao Brasil em 2010 para o filme. E mais:
Na história, Matilde terá participação importante, pois será graças à argumentação dela, a cafetina da cidade, que o bispo enviado em missão especial pela igreja concordará em beatificar Roque (Lázaro Ramos) e assim candidatá-lo a futuro santo.
E mais, na versão cinematográfica da história, Roque, que já não era santo, será menos santo ainda. As filmagens estão previstas para maio. Detalhe: a última vez que Sonia esteve por aqui foi em 2007, quando fez Alice Monteiro em ‘Donas de Casa Desesperadas’, versão brasileira de ‘Desperate Housewives’, que foi ao ar na Rede TV!. No ano anterior, participou da novela ‘Páginas da Vida’, vivendo uma escultora internacionalmente reconhecida.

Lázaro Ramos
Lázaro Ramos estará no papel que foi de José Wilker na novela “Roque Santeiro”, de Dias Gomes e Aguinaldo Silva. O ator se junta a Antônio Fagundes (no papel de Sinhozinho Malta) e Fernanda Torres (que será a Viúva Porcina) no filme “Roque Santeiro”, inspirado na novela de mesmo nome, sucesso nos anos 80, é o que diz a coluna “Sessão Extra”, do jornal “Extra”.
Escrita por Aguinaldo Silva, co-autor da trama de Dias Gomes, “Roque Santeiro – o filme”, terá direção de Daniel Filho.
Escolher um ator de descendência Africana para viver o papel de Roque pode trazer para a estória um ângulo novo, um simbolismo mais forte em se tratando de um personagem que se transforma em salvador de um povo. Outra coisa: o nome Lázaro vem de Lazarus, personagem da Bíblia que é ressuscitado por Jesus. Quem se lembra da estória de “Roque Santeiro” vai reconhecer que o personagem, tido por morto, causa furor quando volta a cidade de Asa Branca anos após sua “morte” – inclusive fazendo muitos acreditar que ele ressuscitou.
Não acho que Lázaro foi uma má escolha e espero que ele tenha boa sorte com o personagem.
Esta rolando por aí um boato que Roque Santeiro será a primeira novela lançada por DVD no Brasil. Por enquanto, li esta notícia somente em outros blogs então pode ser somente uma fofoca sem fundo de verdade. Dizem também que O Clone estava em competição para ser a primeira novela lançada desta maneira mas perdeu para Roque Santeiro no último momento. O Bem Amado também esta sendo cojitado para um lançamento similar sendo que é outra novela que marcou época.
Caro leitor, se você pudesse escolher uma novela para ser lançada inteiramente por DVD, qual escolheria, e porquê?

Aqui em Londres não tem roça de melancia. As que eles vendem nos mercadinhos perto de casa parecem não ter gosto de nada – ou então carregam um sabor de fruta velha. Viajam para a Inglaterra de outros países, outros continentes – onde as roças não sofrem tantos meses de frio pelo ano.
Uma vez visitei uma cartomante no Cinco Conjuntos, Londrina. Ela me recomendou poemas escritos no século 19 por um escravo brasileiro. Ou era um romance? Não me lembro mais – sei que era uma obra prima (hoje esquecida), daquelas que te surpreendem quando descrevem dois homens se beijando. Nada que conseguisse entrar no folclore brasileiro hoje em dia.
A melancia era a fruta predileta do Michael Jackson. Também é a minha – a única coisa que temos em comum.

Jorgeval não vê sua reflexão no espelho. Até mesmo as águas dos rios e lagos insistem em esconder sua face. Quando sai de casa, Jorgeval não tem como saber se seu cabelo está penteado, se um pouco de pasta de dente ficou no canto da boca, se sua pele começa a desbotar como mobília velha.
Ele coleciona fotos de Edir Macedo. As guarda carinhosamente num álbum de fotografia estampado com o rosto enigmático de Hello Kitty. Algumas fotos mostram Edir Macedo na prisão, segurando as barras de seu cárcere. Outras são do julgamento que lhe condenou por ser um bispo megamilionário e corrupto – a sentença sendo mais de cem anos de prisão. (Jorgeval acredita que ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.)
Às vezes, quando Jorgeval passeia pela cidade, ele para um pouco na frente de um prédio abandonado no centro – antiga sede e templo da Igreja Universal do Reino de Deus. Uma tristeza vai lhe preenchendo conforme lembra os bons tempos em que costumava faturar uma nota preta como pastor evangélico. Limpava os bolsos dos fiéis nos fins de semana; mais à noite, promovia altas orgias regadas a champagne e prostitutas. Os templos esvaziaram assim que a verdade veio a tona na imprensa – os fiéis partiram para os terrenos de Candomblé, onde o mal e o bem co-existem sem hipocrisia.
Agora Jorgeval tem somente seu álbum de fotografias para lhe dar alegria… e sua esperança de um dia encontrar um sorriso desgonçado no espelho.
Cresci na São Paulo dos anos 80, protegido pelos muros de um condomínio fechado de três prédios na Zona Sul. Era o menino loiro chamado de “alemão” pelos padeiros, levado pra lá e pra cá no carro de minha mãe (shopping centers, aulas de inglês e de tênis à tarde, festas de aniversário.) Fui aquele adolescente que reconhecia o logo da Jovem Pan por passar horas gravando minhas músicas prediletas (“As Sete Mais”) em fitas cassettes. Ouvi muita música ruim no meu primeiro Walkman (da Sony, comprado no Paraguay durante uma visita as Cataratas do Iguaçu.) Fui o jovem que não era pego morto usando camisa que não fosse de marca (camisa de cafetão era para personagem de novela ou trambiqueiro da Praça da Sé – pessoas longe da minha realidade.)
Sinto saudades dos anos 80.
Final de tarde ensolarado. Sinto o calor como se fosse pela última vez, como se eu fosse um turista da Antártica que tem somente um dia para usurfruir desta beleza.
Ouço um podcast sobre a história do movimento sufragista. Moro aqui em Londres no bairro onde elas se encontravam para organizar seus protestos, para imprimir seus panfletos reclamando dos direitos das mulheres. Se estivessem vivas hoje, ficariam horrorizadas com algumas destas muçulmanas britânicas que insistem em perder seus direitos e voltar à era medieval. Isso que da quando o pensamento religioso corroe a faculdade racional.
Céu azul claro. Memórias do Brasil. Patos, gansos e pombos no ar. Esportistas; pessoas fazendo caminhada. Casais com crianças. A água do lago coberta de pólen, fina como uma teia de aranha.

Lobisomem
Originally uploaded by Roque Santeiro
Na pequena cidade de interior abriu uma boate de dançarinas sensuais. O acontecimento escandalisou os religiosos – a moral sagrada e popular do lugar. Às escondidas, os maridos e filhos da cidade celebraram a novidade; visitavam a casinha rosa quando podiam para ver as duas dançarinas recém chegadas mostrarem seus corpos ao som de Você Me Incendeia, um hit do momento.
As duas moças pareciam irmãs gêmeas na maneira que se portavam, na altura de seus corpos, nas suas risadas e sorrisos. No entanto, suas personalidades eram diferentes. Uma adorava a cor vermelha e os véus; era loira e um tanto séria. A outra preferia roupas justas e saltos altos; tinha pouco juízo.
Antes da platéia chegar, se vestiam num pequeno camarim atrás do palco. Aplicavam perfumes atrás das orelhas, nos punhos e nas solas dos pés; tinham ouvido dizer que isso dava sorte. Da porta do camarim, a dona da boate as observava como uma mãe. Lhes desejava boa sorte todas as noites antes de subirem ao palco.
Mal sabiam as duas dançarinas que uma maldição pairava sobre a cidade: uma criatura que andava as ruas desertas nas noites de lua cheia. Das sombras, esta criatura – um lobisomem – as espreitavam quando os shows terminavam e a boate esvaziava. A lua era a única testemunha de como ele cobiçava por tanta carne fresca. Babava feito pastor de igreja evangélica quando vê dinheiro. Delícia de tentação!
O lobisomem tinha que se aproveitar da noite para atacar; tinha que agarrar uma das moças e lhe levar aos fundos do cemitério antes do sol raiar. Com a chegada da alvorada, a maldição dissipava como uma névoa seca. O dia trazia sua normalidade que fazia os perigos da noite parecerem pesadelos de crianças. No entanto, o desejo ficava… escondido no fundo da alma até a lua cheia voltar.
Estou passeando no Brasil, curtindo minhas memórias dos anos 80 (especialmente quando ouço a rádio Globo FM). Aqui vai o clipe “Tudo Pode Mudar” da banda Metrô:











