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Nas cidades do interior do Brasil, tem aquela semana do ano que Jesus desce pelas ruas carregado pelos fiéis. Passa debaixo das lanterninhas e bandeiras celebrando a festa; passa pelas barraquinhas que vendem santinhos, medalhas, doces e salgados feitos em casa, brinquedos de plástico, roupas em promoção, tapetes, vassouras, buginganças além da imaginação.
O povo segue Jesus (ou Maria, ou um dos santos, dependendo da cidade) com aquela cara de fome, de alegria, de tédio. Muitos rostos se misturam na multidão. Nasce das vozes uma canção sobre o menino do céu. A canção corre pelo povo como se tivesse sido planejada desde o começo. Tudo improvisado, mas repetido anualmente.
Corre um boato, depois, que casas foram assaltadas enquanto o povo celebrava a chegada da estátua. Ladrões de fora se aproveitaram da fé para fazerem a festa. Será que Deus lhes perdoará? Será que Deus viu, distraido como estava também com a procissão? O céu claro, vazio de nuvems, não dá resposta. A polícia corre atrás, persegue, tenta prender os ladrões. Sai tiroteio. Ninguém é ferido. Os ladrões se safam.

Jorge Amado, Capitães da Areia, 1937
Quando a primeira edição de Capitães da Areia apareceu em 1937, foi apreendida e queimada em praça pública pelas autoridades do Estado Novo. O romance conta a estória de um grupo de moleques que vivem nas ruas de Salvador aprontando roubos e brigas (tipo as crianças no Cidade de Deus). Mas, na verdade, o objetivo principal de Amado ao escrever este romance era atacar os oligarcas do Nordeste que mantinham os pobres num buraco fundo, e a igreja corrupta que fingia não ver a pobreza. Atacou com este romance que pintava as crianças como potenciais soldados de uma revolução comunista no Brasil.
Os meninos abandonados vivem num trapiche velho na praia, usando o dia para “trabalharem” nas ruas de Salvador. São liderados por um garoto loiro de dezesseis anos, Pedro Bala, filho de um líder trabalhista morto anos antes num confronto com as autoridades. Pedro lidera vários meninos que por uma razão ou outra terminaram na rua. Às vezes recebem visita e ajuda de um padre com tendências comunistas, ou de uma Mãe-de-Santo e de um trabalhador do cais que fora amigo do pai de Pedro.
Algumas das cenas no livro são chocantes e controversiais ainda hoje: os meninos transam ums com os outros na falta de mulher, ou estupram meninas que fazem a besteira de atravessar a areia à noite. Quando os meninos caem nas mãos de mulheres mais velhas e ricas, abusam de sua boa vontade para lhes roubar ou formar relações sexuais - são descritos como homems amargurados presos em corpos de meninos.
O que decepciona no romance é o jeito que Jorge Amado tenta enfiar o Comunismo goela abaixo do leitor. Ele usa os meninos e o padre bonzinho como símbolos da luta dos trabalhadores contra os capitalistas de uma maneira que não permite os personagems se desenvolverem com a trama. Amado abusa também do sentimentalismo, especialmente quando a menina Dora se junta aos meninos e vira uma mãe para eles. Mas fora isso, o livro prende o leitor do começo ao fim num enredo cheio de ação e suspense (atípico de muita coisa que Amado escreveu depois.)
Camila Fernandes, Verde Efêmero do Éden, 2004
Este conto de ficção científica é baseado no universo Slev, com personagens da coleção Nave Profana. Os protagonistas, abduzidos por um ser misterioso chamado O Zelador, são forçados a participarem de missões em várias eras históricas e planetas distantes, sem explicações. Zandra, da lua-planeta Giron’dha, acorda num planeta paradisíaco, repleto de plantas e criaturas assombrosas e belas. Mas Zandra não é ser humana, embora tenha o poder de imitar o corpo de uma mulher terráquea; ela é uma criatura vegetal siente, e sente uma conexão profunda com a flora do planeta - conexão que porá sua vida em perigo quando encontra uma sedutora planta carnívora.
Se você nunca leu um conto ou livro de ficção científica de uma autora brasileira, aqui está sua chance. Em poucas páginas, Camila cria uma personagem cativante e um mundo misterioso que preenche o leitor de curiosidade. Algumas surpresas aparecem no final do conto, juntamente com a promessa de mais aventuras neste Éden. Fico torcendo para que Camila resolva escrever logo logo um grande romance baseado neste mundo e personagems, ou pelo menos escreva uma continuação para este conto.
Este ebook pode ser baixado de graça aqui.
Jorgeval era aquele típico pastor de igreja evangélica: roubava no domingo para poder aproveitar a semana sem neuras com falta de grana no bolso. Usava bem o dinheiro doado pelo povinho pobre e desinformado: comprava carros importados, relógios caros, pulseiras tipo cafetão, e muita - mas muita - caipirinha. É claro que tomava todo o cuidado do mundo para não ser reconhecido pelos ignorantes que frequentavam sua igreja - morria de medo de ter sua vida dupla desmascarada. Usava perucas, disfarces, óculos escuro, carro blindado com vidro fumê quando saia pra balada. Vivia na paranóia geral.
Jorgeval tocava aquela vida de santinho do pau oco já fazia algums anos. Começava a achar que nunca seria descoberto. E como poderiam descobrir a verdade quando se especializava a cada ano no roubo e na mentira? As vezes até acreditava nas baboseiras que lia na bíblia e falava em voz alta na igreja (que antes fora um salão de bingo.) Sua mãe, que não perdia um sermão e sempre fazia questão de sentar na primeira fila, chorava por horas a fio quando via seu filho (que ela sonhava um dia virar um homem religioso de verdade) gastando o dízimo dos outros em prostitutas baratas e garrafas de uísque falsificado do Paraguay.
Certo dia, Jorgeval passeava na praia de Ipanema numa tarde ensolarada, feliz da vida. Acabara de cometer vários pecados e fazia planos para viajar para os Estados Unidos pra fazer compras em Nova Iorque. Foi quando percebeu uma figura no horizonte, vindo em sua direção. Foram se aproximando um do outro. Jorgeval percebeu que era um homem de corpo torneado, moreno e bonito. Usava uma sunguinha branca como a nuvem mais angelical do céu. O rapaz percebeu que Jorgeval lhe olhava; sorriu marotamente.
Foi como se um relâmpago atingisse Jorgeval naquele momento. Percebeu na beleza pura do rapaz algo que não tinha - algo que tinha jogado fora a muito tempo atrás. Seria aquele rapaz um anjo vindo para lhe castigar, para lhe dar uma mensagem de Deus? Seria ele um anjo para lhe mostrar um novo caminho?
O rapaz chegou a virar a cabeça quando passou, como que checando se Jorgeval estava realmente interessado nele. Jorgeval sentiu que chegara numa encruzilhada. Ou seguia aquele rapaz - aquele Anjo Gabriel dos Trópicos - ou continuava indo em frente, fazendo maldade aos outros e destruindo sua alma. O rapaz caminhava na direção do pôr-do-sol; um halo dourado lhe cobria o corpo. Jorgeval respirou fundo e foi em direção à luz.
Enquanto a economia Americana balança na beira da recessão, e a Inglaterra batalha contra seus próprios problemas econômicos, é fácil de esquecer que algumas partes do mundo estão crescendo. Bem vindo ao Brasil.
- Gillian Lacey-Solymar, Business correspondent, BBC Newsnight, São Paulo. Reportagem (em inglês)
Faz um tempo que venho percebendo o crescimento (e popularidade) do Brasil no exterior, particularmente aqui na Inglaterra. Posters fazendo propagandas do Brasil; a popularidade das sandálias havaianas, da comida brasileira, da música; artistas plásticos brasileiros com shows concorridos; e muito mais. Amigos ingleses me perguntam sobre o Brasil, interessados em passarem as férias lá; e os que vão, voltam maravilhados. Em outras palavras, o Brasil está num momento bom.
A reportagem aponta aqueles problemas de sempre - pobreza, favelas, etc - mas o tom é, em geral, bem positivo. Fico imaginando se um dia pensarei em voltar ao Brasil pois as condições de trabalho e vida serão melhores lá do que aqui no exterior. Tomara que sim!
Agora só falta passarem uma lei que possibilite meu namorado voltar comigo, para que possamos morar juntos no Brasil sem problemas com a lei.
Recebi um cartão do correio me notificando que estavam guardando um pacote para mim. Tentei ir ontem, mas a fila gigante não batia com minha paciência. Voltei hoje e resolvi enfrentar a fila. O indiano no balcão me pergunta se sei qual o tamanho do pacote. Não sei nem quem me mandou tal surpresa! Ele procura por todos os lados - depois de checar minha identidade e comprovante de endereço - e no fim encontra o pacote, todo embalado com papel do correio brasileiro. Sei imediatamente que é presente de minha mãe.
Saio do correio com o pacote na mão. Viro a esquina e corto o esparadrapo com a chave de casa. Dentro, encontro um cartão me desejando feliz Páscoa (com uma pintura dos três reis magos viajando a camelo por um deserto), uma carta da minha universidade no Canadá, e vários bomboms Sonho de Valsa! Que delícia… um pedacinho do Brasil nas minhas mãos. Mato as saudades com apenas a memória destravada por um chocolate.
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Luiz Erbes, A História de Carlos (Não o Chacal), 2007
Carlos é um adolescente pobre como qualquer outro em Caxias do Sul, com dúvidas a respeito do que fará com sua vida. Um dia é seduzido por Geni, vizinha mais velha e mulher desejada no bairro. Este momento é o dia mais feliz de sua vida, embora seje também o dia fatídico que marca uma mudança em sua personalidade, o começo de sua vida adulta, onde acabará cada vez mais ligado à criminalidade e as drogas. O conto se desenrola em Caxias do Sul e mostra um pouco da vida de pessoas nesta parte do Brasil que vivem do contrabando uruguaio e paraguaio. Luiz Erbes faz uma interessante exploração de um personagem que não consegue encontrar amor entre as mulheres conforme sua vida se afunda na companhia de criminosos.
Voce pode baixar o conto gratuitamente aqui. Visite tambem o blog do autor do conto, Luiz Carlos Erbes.
Vi no blog Aprendendo que hoje é o Dia Mundial da Poesia. Você pode ler mais a respeito no site da Unesco.
Meu favorito poeta brasileiro é Carlos Drummond de Andrade (1902 - 1987):
Mãos dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
Sempre carrego comigo uma carteira preta que comprei em Montreal, estampada com a banana que aparece no primeiro álbum do Velvet Underground. Também não largo do celular e das chaves de casa. Na maioria das vezes, levo uma mochila comigo se vou passar bastante tempo na rua. A melhor maneira de lidar com o transporte de Londres é carregar um livro ou jornal na mochila, para ler nos momentos em que o ônibus está preso no trânsito, o trem emperrado no túnel.
Neste inverno, não saí de casa sem minhas luvas de lã; fez muito frio. E o guarda-chuva fez muitas participações especiais também, graças ao tempo terrível que vem assolando a ilha britânica nestes últimos meses. Parece que este inverno não tem fim.
Dizem que o brasileiro é o povo que tem mais dificuldade de se adaptar fora do Brasil. Quando morava no Canadá, quase não encontrava brasileiros por lá; achava que evitavam o país porque tinham dificuldade em lidar com a neve e o frio (que pode chegar a menos de 30 graus). Aqui em Londres, os poucos brasileiros que conheço vivem reclamando da cidade, dos Ingleses, do tempo sempre fechado; morrem de saudades do Brasil (mas ao mesmo tempo só voltam pra terrinha se for na marra.) Eles não tem paciência com a cidade.
O segredo de viver uma vida boa aqui: encontrar um bairro decente para morar, um grupo de amigos por perto, um trabalho que seje OK, e aproveitar tudo que a cidade tem para oferecer (parques, museus, shows, etc.) Praia, somente uma vez por ano, no Brasil.

A cada dia cresce mais o poder da Igreja Universal do Reino de Deus. Com o passar de cada ano, eles constroem mais igrejas, compram mais televisões, empresas… logo logo, serão uma das maiores corporações brasileiras (mas o tipo que destroe o espírito ao invés do meio-ambiente.)
O povo brasileiro, infelizmente, é um povo bundão. Fica lá sentado, sem fazer nada, deixando este mal crescer (da mesma maneira que tolerou a ditadura militar por tantos anos). Prefere um sambinha, uma prainha, ao invés de batalhar por uma sociedade melhor. É claro que muitos lutam, tentam mostrar a verdade e impedir o crescimento desta corja, mas infelizmente acho que a maioria da população não esta nem ai. Um dia (espero que este dia nunca chegue) quando tivermos um presidente evangélico, o que faremos? Quando perdermos a liberdade de expressão, quando os homosexuais forem perseguidos “em nome da religião”, o que faremos? Quando perdermos o nosso charme brasileiro, que nos faz especial ao olhos do mundo, para um bando de cristãos apaixonados pelo dólar, o que faremos?
Povo brasileiro, abra os olhos antes que seje tarde demais.
Gilberto Lacerda escreve, no Jornal da Manhã de Uberaba, que “o presidente do Vasco, Eurico Miranda, representa o que existe de pior no mundo do futebol. O cartola, que acha que é o coronel Sinhozinho Malta, de Roque Santeiro, ameaçou retirar a estátua de Romário, de São Januário. A torcida chiou e ele repensou sobre tal atitude. Romário está decidido a ir para o Flamengo. Ele faz parte da história dos dois clubes e nem Eurico Miranda vai conseguir mudar isso.”


Talvez Eurico Miranda tenha percebido que Romário, como Roque Santeiro, nunca foi um milagreiro…
Todo brasileiro que vem a Londres pela primeira vez se surpreende com a quantidade de brasileiros vivendo aqui. Em toda esquina parece ter um brasileiro segurando panfleto de escola de inglês, ou falando mal de alguém com quem trabalha/mora. Certos ônibus, como o número 6, vivem cheios de brasileiros falando alto ou fingindo que não são brasileiros. Na Oxford Street, uma das áreas mais movimentadas da cidade, tem um restaurante brasileiro; e vários mercadinhos espalhados pela cidade vendem produtos típicos - como Toddy e farofa - para a galera matar saudade da terrinha.
No Brasil, estamos acostumados a pensar em nossos compatriotas como pessoas amigáveis, mas quando o brasileiro sai do Brasil, tende a se fechar e ficar na sua, ou usar outros brasileiros para pedir informação ou emprego. Cansei de estar na rua, conversando com amigo brasileiro, para ser de repente interrompido por um carioca procurando banheiro ou baiano procurando loja de sapato. Talvez sintam mais confiança na ajuda de alguém que compartilhe a língua nativa do que num inglês de cara fechada.
Brasileiro tem pra todo lado, mas os bairros com maiores concentrações são Kensal Rise e Clapham. Quando o Brasil venceu a Copa, milhares de brasileiros se juntaram no centro da cidade e comemoraram em Trafalgar Square, pulando inclusive na fonte da praça. Dizem que Londres tem uma das maiores concentrações de brasileiros fora do Brasil. Certamente não me surpreenderia.
Hoje, cheguei em casa com vontade de ligar a TV e assistir novela. O inverno chegou, trazendo a escuridão típica de Londres. Nestas horas, fico com saudades do sol trópico, das banalidades das 8 da noite, da energia que temos em abundância no Brasil quando o tempo está bom. Fica difícil encontrar disposição neste frio; e fica mais fácil de entender porque tantos brasileiros no exterior não se desgrudam.

O lobisomem é uma criatura mitológica nascida na Europa. É primeiro mencionado nos escritos de Petronius, na Grécia antiga. Como várias mitologias Européias, foi trazida para o Brasil com os imigrantes e adicionada ao folclore brasileiro. Acho que uma das grandes razões que a novela Roque Santeiro emplacou foi por causa do personagem do lobisomem. O país foi fisgado pelo mistério de quem poderia ser a tal criatura que amedrontava a cidade de Asa Branca.
Nos anos 80, era meio moda explorar o imaginário de horror no mundo pop. Michael Jackson fez isso com seu vídeo Thriller; e um grande sucesso de bilheteria na época foi o filme Um Lobisomem Americano em Londres (mostrando pela primeira vez, com a ajuda de efeitos especiais de última geração, a transformação inteira de um homem para um lobisomem).
Na novela Roque Santeiro, o lobisomem simbolizava a repressão sexual em que a cidade vivia até chegar a boate Sexus, os artistas de cinema e o próprio Roque. Esta repressão sexual era de natureza religiosa (como sempre é). Professor Astromar, um intelectual entediante e autor de péssimos poemas, era o tal do lobisomem. Encaixava-se perfeitamente na teoria literária da crítica Camille Paglia, que vê o mundo dividido entre duas correntes - a energia racional e estéril de Apolo, e a energia instintiva e sexual de Dionísio. Durante o dia, Professor Astromar era regido pelo poder plácido de Apolo. Nas noites de lua cheia, conseguia libertar sua libido com a ajuda de Dionísio e fazer festa com as dançarinas da boate Sexus.
Aqui vai a segunda (e última) trilha sonora de Roque Santeiro. Como anteriormente, links foram providenciados para vídeos encontrados no YouTube.

01. MALANDRO SOU EU - Beth Carvalho (tema de Roque)
02. COISAS DO CORAÇÃO - Ritchie (tema de Tânia)
03. PELO SIM PELO NÃO - Cláudio Nucci e Zé Renato (tema de Sinhozinho Malta)
04. VITORIOSA - Ivan Lins (tema de Lulu)
05. FRUTA MULHER - Nana Caymmi (tema de Matilde)
06. VERDADES E MENTIRAS - Sá e Guarabira (tema de locação)
07. MIL E UMA NOITES DE AMOR - Pepeu Gomes (tema de Linda Bastos e Gerson)
08. A HORA E A VEZ - Cláudio Nucci e Zé Renato (tema de Porcina)
09. MAL NENHUM - Joanna (tema de Ninon e Delegado Feijó)
10. ENTRA E SAI DE AMOR - Altay Veloso (tema de Tânia e Padre Albano)
11. AMPARITO AMOR - Cauby Peixoto (tema de Amparito Hernandez)
12. MAL DE RAIZ - MPB4 (tema de Mocinha)
Que eu saiba, Roque Santeiro foi uma das únicas novelas brasileiras a lançar duas trilhas sonoras nacionais (geralmente, a segunda contêm artistas internacionais). Minha mãe comprou os dois LPs na época, e lhes tocava sem parar em casa. Estas trilhas me lembram verões na praia; e também o som vindo do barzinho na beira da piscina do nosso condomínio de prédios em São Paulo.
Aqui vai a lista da primeira trilha sonora:

01. ISSO AQUI TÁ BOM DEMAIS - Dominguinhos (partic. especial Chico Buarque) (tema de Sinhozinho Malta)
02. A OUTRA - Simone (tema de Lulu)
03. SEM PECADO E SEM JUIZO - Baby Consuêlo (tema de Linda Bastos e Gerson)
04. CHORA CORAÇÃO - Wando (tema de Mocinha)
05. MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE - Zé Ramalho (tema do lobisomem)
06. SANTA FÉ - Moraes Moreira (tema de abertura)
07. DONA - Roupa Nova (tema de Porcina)
08. DE VOLTA PRO ACONCHEGO - Elba Ramalho (tema de Roque)
09. INDECENTE - Anne Duá (tema de Matilde)
10. CORAÇÃO APRENDIZ - Fafá de Belém (tema de Tânia)
11. ROQUE SANTEIRO - Sá e Guarabyra (tema de locação)
12. CÓPIAS MAL FEITAS - Alceu Valença (tema de Zé das Medalhas)
Infelizmente (ou felizmente?) não encontrei a maioria dos vídeos no YouTube (o resto você assiste seguindo os links acima). Faça figadas que eu encontre os vídeos para a segunda trilha sonora.
Vai começar o Big Brother Brasil 8. Os produtores resolveram torturar os usuários incautos da internet e pediram que os Desperados Pela Fama gravem vídeos explicando porque devem participar do programa. Os vídeos, é claro, acabaram no YouTube; e dale tosqueira!
Vídeos de homems e mulheres que se acham Os Gostosos é o que não falta. Algums desesperados criaram uma carreira em cima do fato que quase entraram em Big Brothers anteriores. Outros confessam que são mala, oque talvez melhore suas chances de serem escolhidos pelos produtores. Tem que rir para não chorar.
Nestas horas, dou graças a deus que moro em Londres.
Fudeus geral. Cientistas anunciaram, de acordo com o jornal Britânico The Independent, que o aquecimento global não tem mais jeito: um aumento de dois graus na temperatura do planeta é inevitável; os cientistas agora estão pedindo que governos se preparem para as várias crises que surgirão em conseqüência disso.
A BBC também noticiou ontem que o Ártico teve sua maior perda de gelo este verão - perdeu um espaço equivalente a sete Grã-Bretanhas. O surgimento desta nova rota marítima pode causar conflitos no futuro entre a América e a Rússia, já que os dois países pretendem controlar a exploração de recursos naturais nesta região.
Quando ouço falar de aquecimento global, me lembro de uma reportagem que vi na TV sobre seitas baseadas em Brasília. Membros destas seitas acreditam que Brasília será, no futuro, uma capital mundial, após um desastre ecológico; o Brasil será um dos poucos países poupados. Talvez esse pensamento tenha a ver um pouco com nossa mania no Brasil de pensar que o país so dará certo no futuro.
Enquanto o futuro não chega, sugiro que montemos uma guilhotina em Brasília e mandemos os políticos fazer fila. Ficará chato - não é mesmo? - se os políticos ladrões ainda estiverem no poder quando os sobreviventes globais chegarem. E pode colocar os bispos da Igreja Universal do Reino de Deus na fila também; eles não merecem pertencer ao novo futuro do Brasil.

Eu não sei quem são os piores: os cristãos filhos da puta americanos que sonham com o Armagedon; ou os cristãos filhos da puta brasileiros que querem destruir qualquer esperança que existe na alma do povo brasileiro. Botando de lado o fato que ambas tribos louvam Satânas, acho uma questão complicada até para o mais manjado filósofo.
Eu proponho então uma solução: amarra toda esta cambada em mísseis nucleares - tanto faz se for míssel Americano ou Russo - e manda pro Sol.
Uma coisa que temos em comum com as pessoas sensatas dos Estados Unidos é que usamos o senso de humor para lidar com tanta idiotice. Para cada vídeo da Xuxa louvando o Diabo ou de uma menina de sete anos (triste vítima da lavagem cerebral) pregando mentiras da Bíblia, aparece alguém com um funk ou um vídeo exclusivo do Edir Macedo mostrando sua face real .
A esperança é a última que morre, como todos dizem, especialmente se é auxiliada pelo bom humor.

Você deve estar se perguntando porque escolhi o nome de Roque Santeiro para este blog. Roque Santeiro, personagem de uma novela brasileira de 1985, é um cara que saiu de sua cidade natal no Brasil para fazer a vida viajando o mundo e morando no exterior. Como ele, morei em vários países (atualmente moro em Londres), mas tenho a minha cidadezinha no Brasil aonde sempre volto quando posso (pelo menos uma vez por ano). Não sei se Roque Santeiro era noveleiro, mas já que fazia parte de uma novela, achei que era outra coincidência util para a criação deste blog.
Roque Santeiro é aquela novela suprema, comparada quase sempre com todas as outras novelas (especialmente aquelas que se passam no interior brasileiro). É a novela que mostrou o poder do formato, atingindo 100% de índice de audiência em seu último capítulo. Fez sucesso até em outros países, como Cuba e Angola.
Roque Santeiro navegou o zeitgeist da época. Proibida pelos militares em 75, ela voltou dez anos depois quando o país transitava para a democracia. A sua estória refletia o velho Brasil entrando em choque com o novo, um mundo antigo desaparecendo nas mãos dos jovems, dos pensamentos livres até então oficialmente proibidos.
Na cidade religiosa de Asa Branca, mandada por coronéis e a igreja, chega uma boate (com o nome sugestivo “Sexus”), um grupo de atores liderados por um cineasta, e o tal de Roque Santeiro, que na verdade não é milagreiro ou defunto (como quase todos da cidade acreditam). Para quem esqueceu, um resumo da novela pode ser encontrada na Wikipédia.
Faltam mais novelas como Roque Santeiro no Brasil. Faltam boms atores, sátira, enredo interessante e conteúdo que não faz lembrar novelas banais do México. Enquanto mudanças não aparecem na TV brasileira, te deixo como opção este blog, repleto de capítulos emocionantes, atuações merecedoras de um Oscar, e até trilha sonora que vai embalar seus dias e suas noites.
Começou a novela. Roque Santeiro não morreu; ele está vivinho da Silva, morando em Londres.











