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Nas cidades do interior do Brasil, tem aquela semana do ano que Jesus desce pelas ruas carregado pelos fiéis. Passa debaixo das lanterninhas e bandeiras celebrando a festa; passa pelas barraquinhas que vendem santinhos, medalhas, doces e salgados feitos em casa, brinquedos de plástico, roupas em promoção, tapetes, vassouras, buginganças além da imaginação.
O povo segue Jesus (ou Maria, ou um dos santos, dependendo da cidade) com aquela cara de fome, de alegria, de tédio. Muitos rostos se misturam na multidão. Nasce das vozes uma canção sobre o menino do céu. A canção corre pelo povo como se tivesse sido planejada desde o começo. Tudo improvisado, mas repetido anualmente.
Corre um boato, depois, que casas foram assaltadas enquanto o povo celebrava a chegada da estátua. Ladrões de fora se aproveitaram da fé para fazerem a festa. Será que Deus lhes perdoará? Será que Deus viu, distraido como estava também com a procissão? O céu claro, vazio de nuvems, não dá resposta. A polícia corre atrás, persegue, tenta prender os ladrões. Sai tiroteio. Ninguém é ferido. Os ladrões se safam.
O artista austríaco Hans Schabus tem um show no momento no centro de artes Barbican, chamado Next Time I’m Here, I’ll Be There (Da próxima vez que estiver aqui, estarei lá.) Ele gosta de explorar a idéia de jornadas fictícias e a natureza transiente do espaço público.
Para seu primeiro show no Reino Unido (Londres), reuniu cadeiras do centro de artes Barbican e as colocou na parede, como se fossem cadeiras de um grande avião. Lembra um pouco aquela cena do filme 2001: Uma Odisséia no Espaço, quando um dos astronautas faz cooper dentro da aeronave.






Encontrei esta foto Sexta-feira passada, perto de uma máquina de xerox, numa universidade aqui em Londres. O nome da moça está escrito atrás da foto. Imagino que ela estava fazendo cópias de algum documento, para ser usado juntamente com a foto, e acabou esquecendo este aqui perto da máquina.
Conforme eu for encontrando fotos aqui em Londres (seja na rua, numa loja, num shopping, num restaurante) vou lhes adicionar a este blog. Espero que da próxima vez eu encontre uma foto mais antiga, mais panorâmica.

Se inspirando no personagem de Dias Gomes, cantora magrela resolveu sair de casa usando vários cordões ao mesmo tempo.
Dona de um estilo único, agora a feiosa Amy Winehouse aderiu aos cordões dourados. Muitos deles. Na noite desta segunda-feira, 7, ela foi flagrada pelo jornal The Sun nas ruas de Londres com um look que lembra o estilo do personagem Zé das Medalhas, da novela “Roque Santeiro”. Quem sabe seu próximo CD terá influência do som brega de Wando. A cantora, que ainda usava brincos enormes, adotou o visual extravagante para ir à casa de um amigo, o fotógrafo americano Blake Wood. (Foto: Reprodução/ The Sun)
Vi no EGO.

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Foto aérea do mercado Roque Santeiro, tirada por Sam Seyffert. O mercado é considerado o maior ao céu aberto na África.

Encontrei esta foto na rua Bethnal Green, no dia 2 de Fevereiro. Tinha ido acompanhar uma amiga a um caixa eletrônico quando o vi na calçada. Bethnal Green é um bairro tradicionalmente bangladeshiano; talvez este homem tinha acabado de chegar em Londres e estava retirando dinheiro do caixa quando a foto caiu de sua carteira; talvez estava à caminho de algum outro bairro.
Estas marcas vermelhas na foto são o símbolo do London Underground, o transporte público Londrino para os trens e metro da cidade. Esta foto provavelmente foi usada para uma carteira de transporte mensal ou anual.
Colei no meu diário. Ficará por lá até o dia que encontrar outra foto para lhe fazer companhia.
Amanheceu um dia lindo em Londres. Depois de uma semana de chuva e tempo fechado, temos um pouco de sol. Que bom. Um amigo de São Paulo está me visitando no momento; acho que vamos aproveitar este domingo ensolarado para caminhar por Londres - talvez descansar na grama de um parque ou comprar uma cerveja e sentar num bar.
Fomos ontem à Galeria Serpentine, um espaço para exibições de artistas plásticos, situada dentro de Hyde Park. Fomos num grupo grande de brasileiros. O show (Drawing Restraint) era do artista plástico Matthew Barney, marido da cantora Björk. O lugar estava cheio: pessoas bem cheirosas se espremiam para ver vídeos de Matthew pulando e pintando um teto, ou pendurado num navio baleeiro japonês rabiscando num papel. Em outras salas haviam pequenas fotos e desenhos de criaturas mitológicas (algumas usadas no filme Drawing Restraint 9, do mesmo artista), e tambem “esculturas” simulando a caça de baleias.

Ao lado do Serpentine Gallery tem um pavilhão criado pelos arquitetos Olafur Eliasson e Kjetil Thorsen. O filme Drawing Restraint 9 é mostrado dentro do pavilhão durante certas horas do dia. Infelizmente não chegamos a tempo para assisti-lo. Após uma olhada no trabalho de Barney, resolvemos atravessar o parque e sentar num pub em Notting Hill - beber, comer batatinhas salgada e bater papo. Não tem nada mais gostoso que passar uma tarde com um grupo de amigos brasileiros, matando saudade do Brasil.

Fui ao British Film Institute neste Sábado passado com um amigo brasileiro, Bruno, fissurado pelo Velvet Underground. Motivo? O BFI trouxe para Londres várias raridades do museu de Andy Warhol em Nova York e lhes apresentam durante o mês de Setembro - incluindo raros filmes do começo da carreira do Velvet Underground.
Assim que nos sentamos no auditório vazio, e as luzes diminuíram, Bruno caiu num cochilo com algums outros no cinema. E na verdade não foi uma grande surpresa: os dois filmes de 16mm, preto e branco, são meio chatos. Vemos o Velvet Underground ensaiando, Nico batendo no pandeiro, seu filho com o ator Alain Delon sentado aos seus pés brincando com um chacoalho; em outro filme, vemos a banda (sem Nico) amarrando os pés da baterista Maureen Tucker, engraxando suas botas e tratando o fio do microfone como se fosse um chicote.
Nico é o destaque destes filmes. Quando Warhol lhe pediu para se juntar ao Velvet Underground, ele tinha planos para lhe transformar numa superstar. Via na sua beleza gélida algo futurista e novo. Talvez prevesse que Nico viria a epitomizar um memento mori, e morrer jovem. De acordo com Bruno, Nico era coberta de picadas de agulhas por causa de seu vício na heroina. Tinha vergonha das marcas então só andava com roupas que lhe cobriam o corpo inteiro. No dia fatídico que andava de bicicleta, fim dos anos 80, sofreu de supra aquecimento do corpo, desmaiou e bateu a cabeça ao cair.
Vendo Nico nos filmes de Warhol, não tem como não sentir pena por uma beleza destruída desta maneira.

Lili Taylor é uma atriz genial. Mais genial ainda foi sua escalada para fazer o papel de Valerie Salanis, a feminazi que escreveu o S.C.U.M. manifesto e que quase matou Andy Warhol. Como diz o título do filme, I Shot Andy Warhol detalha a vida de Valerie e os motivos pelo qual ela resolveu liquidar com o artista pop com um revólver roubado.
Muitos acreditam que Valerie pôs fim ao espírito dos anos 60 em Nova York, já que Andy nunca mais se recobrou do tiro e a Factory, criada por ele nos anos 60 como um centro aberto para artistas e curiosos, teve que repensar sua segurança. O tiro disparado por Valerie foi um presságio do fim da inocência dos anos 60.
A trilha sonora de I Shot Andy Warhol fica por conta de John Cale, um dos fundadores do Velvet Underground e amigo de Warhol. Outro destaque do filme é Stephen Dorff no papel de Candy Darling. Aliás, rolou um boato algums anos atrás que Madonna queria fazer o papel de Candy em um filme. Pior idéia, impossível; graças a Deus, parece que Madonna partiu para outras e resolveu deixar o legado de Warhol em paz.











