You are currently browsing the monthly archive for Abril 2009.

Crystal Stilts, Departure, Feb 2009
Mal chegou a primavera e ja estou preocupado com o outono, graças a banda Americana Crystal Stilts. Deve ter alguma coisa na água de Brooklyn – muita música interessante tem saído deste bairro Nova Iorquino nos últimos anos. Embora Crystal Stilts carreguem uma lista enorme de influências – Joy Division, Jesus & Mary Chain, Velvet Underground e House of Love – conseguem embrulhar tudo de uma maneira nostálgica e charmosa sem roubar idéias de suas influências. “Departure” me lembra também de uma banda brasileira dos anos 80, Violeta de Outono, com suas melodias sonhadoras, letras psicodélicas e um ritmo dark por baixo de tudo. O lado-b, “Prismatic Room”, lembra Mazzy Star e The Doors. Imagino que os integrantes do grupo tem cabelos pretos e franjinhas estilo anos 60.
O parque Victoria está cheio de: árvores, bêbados, flores, grama, cachorros, beleza.
Bateu fome e cansaço. Fim de tarde, primavera. Os bêbados tentando pescar no lago do parque. Pessoas fazendo ginástica após o trabalho. Cisnes e patos à procura de comida. Cadê os pombos? Música do Bauhaus no meu ouvido, conferindo a tudo um ar tenebroso. Talvez este seja o último fim de tarde do planeta. Nosso último dia. A vida termina aqui, começa ali. Os mortos vivos se erguem do lago e caminham em minha direção (estou sentado num banquinho que fica de frente a água). Cheiro de cigarro no ar puro.
Casais passeam de mãos dadas. Estou com vontade de comer pão com manteiga. Tomar café com leite. Toddy. Pastel. Mergulhar na piscina. Férias eternas. Aquele sol de infância que não faz mal a ninguém.
Este documentário deveria ser mostrado em todas as escolas brasileiras:

Lobisomem
Originally uploaded by Roque Santeiro
Na pequena cidade de interior abriu uma boate de dançarinas sensuais. O acontecimento escandalisou os religiosos – a moral sagrada e popular do lugar. Às escondidas, os maridos e filhos da cidade celebraram a novidade; visitavam a casinha rosa quando podiam para ver as duas dançarinas recém chegadas mostrarem seus corpos ao som de Você Me Incendeia, um hit do momento.
As duas moças pareciam irmãs gêmeas na maneira que se portavam, na altura de seus corpos, nas suas risadas e sorrisos. No entanto, suas personalidades eram diferentes. Uma adorava a cor vermelha e os véus; era loira e um tanto séria. A outra preferia roupas justas e saltos altos; tinha pouco juízo.
Antes da platéia chegar, se vestiam num pequeno camarim atrás do palco. Aplicavam perfumes atrás das orelhas, nos punhos e nas solas dos pés; tinham ouvido dizer que isso dava sorte. Da porta do camarim, a dona da boate as observava como uma mãe. Lhes desejava boa sorte todas as noites antes de subirem ao palco.
Mal sabiam as duas dançarinas que uma maldição pairava sobre a cidade: uma criatura que andava as ruas desertas nas noites de lua cheia. Das sombras, esta criatura – um lobisomem – as espreitavam quando os shows terminavam e a boate esvaziava. A lua era a única testemunha de como ele cobiçava por tanta carne fresca. Babava feito pastor de igreja evangélica quando vê dinheiro. Delícia de tentação!
O lobisomem tinha que se aproveitar da noite para atacar; tinha que agarrar uma das moças e lhe levar aos fundos do cemitério antes do sol raiar. Com a chegada da alvorada, a maldição dissipava como uma névoa seca. O dia trazia sua normalidade que fazia os perigos da noite parecerem pesadelos de crianças. No entanto, o desejo ficava… escondido no fundo da alma até a lua cheia voltar.
Estou no porão do teatro Royal Court, esperando amigos chegarem para que possamos ver a peça The Fever, de Wallace Shawn. Um dia lindo em Londres – depois de oito anos nesta cidade, cheguei a conclusão que a primavera é a melhor época para curti-la. Um sol seco, um vento frio, flores desabrochando para todos os lados, casacos de inverno de volta ao armário e cores pelas calçadas. Mais pele, mais sorrisos.
Estou bebendo uma cerveja forte chamada Leffe. Tem gosto de canela – deliciosa. Comprei um cartão de aniversário para a minha cunhada – o tipo de cartão que não se encontra no Brasil.
As pessoas do lado ocidental de Londres (onde se encontra este teatro) são muito diferentes das do lado oriental (onde eu moro): playboys limpinhos e certinhos; mais dinheiro no ar; atitudes mais conservadoras. Falta a energia punk do outro lado da cidade. Falta tensão. E tesão?











