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Canalside garden centre
Originally uploaded by Lou-EB
Fomos a um centro de jardinagem perto de casa, que fica à beira do Victoria Park e Regent’s Canal. Compramos plantas para o nosso apartamento. Na ida, quase nos esbarramos em dois moleques de bicicleta, aparentemente roubando uma terceira bicicleta. Eles nos xingaram e com certeza teriam pedalado de volta para um confronto se tivessemos revidado.
Como dói engolir um desaforo!
Mas aqui em Londres, é a coisa mais sábia ficar na sua: quem parte para conflitos com os adolescentes daqui muitas vezes termina com uma faca na barriga.
Está um dia cinza, como de constume. Temos filmes franceses e episódios do Lost para costurar o fim da tarde. A rádio esta sintonizada na BBC3, que toca somente música clássica. Meu espírito esta tranquilo (especialmente com essas novas plantas e flores que adicionamos ao apartamento.) A sala ganhou vida e a nossa varanda vai virar uma floresta de samambaias.

Shirley Valentine
Vivemos com aquela fantasia de que o melhor está em algum outro lugar. Isso vale igualmente para aqueles que tem dinheiro e para os que não tem nada. No filme Shirley Valentine, a protagonista – mãe e dona de casa – resolve largar tudo e passar duas semanas de férias na Grécia. Sua vida chegou a um impasse: não aguenta mais o marido, os filhos, a monotonia do dia a dia. Na Grécia, vive um romance passageiro, descobre o sol e o mar – resolve nunca mais voltar para a Inglaterra.
Ok, o filme é uma grande fantasia (e baseado numa peça teatral); mas fica aquela questão: por que as pessoas tem tanto medo de seguirem seus corações? Talvez são poucas as pessoas que atingem o ponto que não tem mais nada a perder, que jogam tudo para o alto.
Este é o filme predileto da Rainha Elizabeth II da Inglaterra. Enquanto assistia, fiquei pensando nela: será que ela se vê no personagem? Sonha em largar o marido e a família para ir morar num país com sol e praias lindas? Sonha em descobrir a si mesma? Acho que sim…
Ele nos visitou por cinco dias. Quando foi embora, meu namorado percebeu que ele havia esquecido um moletom no quarto de visitas: azul com duas listras amarelas, zipper, e o nome da cidade alemã Münster na frente. Lhe mandei um e-mail pedindo seu endereço em Frankfurt (onde mora a alguns anos) para eu poder lhe mandar o moletom por correio. Até agora, nada de resposta.
Quando caminho pelos canais de Londres à noite, música do meu iPod entrelaçando meus pensamentos, me lembro de quando eramos adolescentes. De como ele era lindo, e o quanto eu o amava. Ele ainda tem seu charme quinze anos depois, e muitas mulheres não conseguem lhe resistir. Quando ele está por perto, tenho as minhas defesas, a minha maneira de me proteger. Mas quando ele está longe, as músicas nostálgicas (The Smiths, Suede) que criaram nossa amizade me fazem lembra-lo como uma figura romântica e irreal. Nos canais londrinos vive minha imaginação.











