O pesquisador (e noveleiro) espanhol Jesús Martín-Barbero, da Universidad Javeriana, de Bogotá, abriu nesta segunda feira o 4º Semniário Internacional Obitel (Observatorio Iberoamericano de la Ficción Televisiva), realizado no Rio em parceria entre a USP e o projeto Globo Universidade. Ele falou com o Estadão sobre telenovelas, includindo Roque Santeiro. Aqui vai um trecho:

Na sua palestra, o senhor chamou a novela colombiana Betty, a Feia de “mutante”, porque ela teria perdido a identidade quando foi adaptada em outros países . Mas não vê êxito nisso para a produção colombiana?

Betty, a Feia, em termos de público ou audiência, é um êxito maravilhoso. Mas o problema é que com essa telenovela não estamos falando com latino-americanos, mas usando a genialidade de um roteirista de usar um tema-chave, como é o de Branca de Neve. Nas versões de Betty, o único aspecto que resta do original é o núcleo arquetípico da beleza oculta. É diferente, por exemplo, de novelas como Roque Santeiro e Terra Nostra, que apresentam uma visão brasileira sobre as diferentes situações. Betty é um modelo que pode ser feito pelos alemães, basta mudar as tramas. Isso não tem nada a ver com a Colômbia, nem com a América Latina. De alguma forma, essa novela é o modelo que a globalização da TV está buscando: não é remake, é transformação, que permite que Betty seja alemã, norte-americana, espanhola…

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