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Luiz Erbes, A História de Carlos (Não o Chacal), 2007
Carlos é um adolescente pobre como qualquer outro em Caxias do Sul, com dúvidas a respeito do que fará com sua vida. Um dia é seduzido por Geni, vizinha mais velha e mulher desejada no bairro. Este momento é o dia mais feliz de sua vida, embora seje também o dia fatídico que marca uma mudança em sua personalidade, o começo de sua vida adulta, onde acabará cada vez mais ligado à criminalidade e as drogas. O conto se desenrola em Caxias do Sul e mostra um pouco da vida de pessoas nesta parte do Brasil que vivem do contrabando uruguaio e paraguaio. Luiz Erbes faz uma interessante exploração de um personagem que não consegue encontrar amor entre as mulheres conforme sua vida se afunda na companhia de criminosos.
Voce pode baixar o conto gratuitamente aqui. Visite tambem o blog do autor do conto, Luiz Carlos Erbes.
Vi no blog Aprendendo que hoje é o Dia Mundial da Poesia. Você pode ler mais a respeito no site da Unesco.
Meu favorito poeta brasileiro é Carlos Drummond de Andrade (1902 - 1987):
Mãos dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
Os pássaros estão voando para o norte. Cai chuva em Londres; uma cortina fria pega tudo pelas ruas; desaparece o horizonte. Será que os aviões vêem as luzes dos arranha-céus? Uma cor cinza, triste, cobrindo tudo. O vento quer entrar no apartamento e apagar as lâmpadas, eliminar a música. O aquecedor está ligado - nossos reforços deste lado.
Uma amiga está hospitalizada a mais de seis semanas. Vai morrer de câncer. Dizem que não sai mais de lá. Lhe escrevi duas cartas; não tenho coragem de ir lhe visitar. O namorado mandou dizer que ela gostou das cartas. Às vezes não consigo dormir à noite; fico pensando nela. Tento rezar, lhe mandar força - lhe mandar tudo de bom que posso imaginar. Ela realmente não merecia morrer tão jovem (nem tem quarenta anos).
Vou entrar debaixo das cobertas e só sair na Segunda-feira.

Hercules and Love Affair, 2008
Hercules and Love Affair brincam com os deuses: os antigos Gregos que aparecem em suas letras, na capa de seu primeiro álbum, e até mesmo no primeiro single Blind (uma melhor homenagem ao Studio 54 não aparecerá este ano); os gays do passado, que reinaram como seres divinos nas pistas de dança dos anos 70 e 80, destinados a um fim trágico; e os que caminham sobre a terra hoje em dia - andrógino Antony, guerreira Nomi, mestre-DJ Frankie Knuckles - destinados a recombinar o passado e encontrar novos fiéis para o Grande Disco Ball. O álbum é uma homenagem ao passado da dance music, começando pela era disco, passando pelo new wave, e terminando no acid house. Os deuses devem estar felizes no céu.
Sempre carrego comigo uma carteira preta que comprei em Montreal, estampada com a banana que aparece no primeiro álbum do Velvet Underground. Também não largo do celular e das chaves de casa. Na maioria das vezes, levo uma mochila comigo se vou passar bastante tempo na rua. A melhor maneira de lidar com o transporte de Londres é carregar um livro ou jornal na mochila, para ler nos momentos em que o ônibus está preso no trânsito, o trem emperrado no túnel.
Neste inverno, não saí de casa sem minhas luvas de lã; fez muito frio. E o guarda-chuva fez muitas participações especiais também, graças ao tempo terrível que vem assolando a ilha britânica nestes últimos meses. Parece que este inverno não tem fim.
Dizem que o brasileiro é o povo que tem mais dificuldade de se adaptar fora do Brasil. Quando morava no Canadá, quase não encontrava brasileiros por lá; achava que evitavam o país porque tinham dificuldade em lidar com a neve e o frio (que pode chegar a menos de 30 graus). Aqui em Londres, os poucos brasileiros que conheço vivem reclamando da cidade, dos Ingleses, do tempo sempre fechado; morrem de saudades do Brasil (mas ao mesmo tempo só voltam pra terrinha se for na marra.) Eles não tem paciência com a cidade.
O segredo de viver uma vida boa aqui: encontrar um bairro decente para morar, um grupo de amigos por perto, um trabalho que seje OK, e aproveitar tudo que a cidade tem para oferecer (parques, museus, shows, etc.) Praia, somente uma vez por ano, no Brasil.
E o prêmio de melhor intérprete da canção Rehab vai para…
Existe coisa mais gostosa e linda do que dois rapazes heterosexuais rindo e se beijando? Acredito que não:











