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Foto aérea do mercado Roque Santeiro, tirada por Sam Seyffert. O mercado é considerado o maior ao céu aberto na África.

Cormac McCarthy, A Estrada, 2006
Um pai e filho atravessam a pé um pais devastado (provavelmente os Estados Unidos), procurando escapar o inverno implacável. Eles vivem nos últimos dias do planeta Terra, após um desastre sem nome que matou todos os animais e plantas, e jogou o planeta na escuridão. As poucas pessoas que sobreviveram vivem escondidas, aterrorizadas; ou fazem parte de gangues de canibais. Os horrores cometidos por estas gangues embranqueceriam os cabelos de Stephen King.
Embora seje um romance curto, de linguagem poética, tive problemas em termina-lo. A desolação e os horrores descritos faria qualquer um procurar uma garrafinha de Prozac. O crítico Inglês Charlie Brooker acertou em cheio quando disse que o romance deveria vir junto com uma navalha, para o leitor cortar os pulsos. Em compensação, existe um raio de esperança correndo a narrativa que transforma o romance num clássico dos tempos modernos, e faz juz aos varios prêmios que o autor ganhou.
Vale a pena prestar atenção no que o livro tem a dizer sobre Deus. Neste mundo, Deus morreu; não existem igrejas; pomares de maçãs estragadas lembram um Jardim do Éden abandonado; mas mesmo assim um dos personagems – o filho – carrega em si “a chama”, a esperança do ser humano para um mundo melhor, para a volta de Jesus e a salvação de todos. Acho que ateístas e pessoas religiosas gostarão deste livro; e com certeza terão muito assunto para descutir.
Cormac McCarthy será, com certeza, o próximo Americano a ganhar o prêmio Nobel de Literatura.

Encontrei esta foto na rua Bethnal Green, no dia 2 de Fevereiro. Tinha ido acompanhar uma amiga a um caixa eletrônico quando o vi na calçada. Bethnal Green é um bairro tradicionalmente bangladeshiano; talvez este homem tinha acabado de chegar em Londres e estava retirando dinheiro do caixa quando a foto caiu de sua carteira; talvez estava à caminho de algum outro bairro.
Estas marcas vermelhas na foto são o símbolo do London Underground, o transporte público Londrino para os trens e metro da cidade. Esta foto provavelmente foi usada para uma carteira de transporte mensal ou anual.
Colei no meu diário. Ficará por lá até o dia que encontrar outra foto para lhe fazer companhia.

A cada dia cresce mais o poder da Igreja Universal do Reino de Deus. Com o passar de cada ano, eles constroem mais igrejas, compram mais televisões, empresas… logo logo, serão uma das maiores corporações brasileiras (mas o tipo que destroe o espírito ao invés do meio-ambiente.)
O povo brasileiro, infelizmente, é um povo bundão. Fica lá sentado, sem fazer nada, deixando este mal crescer (da mesma maneira que tolerou a ditadura militar por tantos anos). Prefere um sambinha, uma prainha, ao invés de batalhar por uma sociedade melhor. É claro que muitos lutam, tentam mostrar a verdade e impedir o crescimento desta corja, mas infelizmente acho que a maioria da população não esta nem ai. Um dia (espero que este dia nunca chegue) quando tivermos um presidente evangélico, o que faremos? Quando perdermos a liberdade de expressão, quando os homosexuais forem perseguidos “em nome da religião”, o que faremos? Quando perdermos o nosso charme brasileiro, que nos faz especial ao olhos do mundo, para um bando de cristãos apaixonados pelo dólar, o que faremos?
Povo brasileiro, abra os olhos antes que seje tarde demais.
Gilberto Lacerda escreve, no Jornal da Manhã de Uberaba, que “o presidente do Vasco, Eurico Miranda, representa o que existe de pior no mundo do futebol. O cartola, que acha que é o coronel Sinhozinho Malta, de Roque Santeiro, ameaçou retirar a estátua de Romário, de São Januário. A torcida chiou e ele repensou sobre tal atitude. Romário está decidido a ir para o Flamengo. Ele faz parte da história dos dois clubes e nem Eurico Miranda vai conseguir mudar isso.”


Talvez Eurico Miranda tenha percebido que Romário, como Roque Santeiro, nunca foi um milagreiro…
Todos na Inglaterra bebem chá preto. Com leite, sem leite, doce, sem enfeites. Prefiro o café. Preciso do café. Duas colheres açucaradas e aquela espuminha coberta de flocos de chocolate. Somente assim consigo começar meu dia, somente assim consigo quebrar a timidez do primeiro encontro.
Chá verde é antioxidante. Dizem que café e chá preto envelhecem. Não sei se é verdade. Vou começar outra guerra pelo meu direito de venerar os grãos negros. E vou matar o deus que proibiu a queda de neve nesta cidade – prometeu e não compriu. Fiquei esperando como típico brasileiro trouxa.
As previsões são para neve cair em Londres neste fim de semana. Está um frio do caralho lá fora; vai ser aquela noite de pipoca, filme e sono profundo.
Quero acordar com a cidade em branco, e um céu ensolarado.











