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Assisti a meu primeiro filme de Bruce LaBruce: The Raspberry Reich. LaBruce pega uma estória fraquinha de terroristas da extrema esquerda e adiciona pornografia e propaganda revolucionária. Ele cobre uma parede, por exemplo, com uma imagem gigante de Che Guevara e filma um jovem de etnia ambígua encostado perto, se masturbando; ou ele filma dois homens se beijando, sem camiseta, numa praça para a raiva e surpresa de alemães passando por ali. O filme, de uma hora e meia, está repleto de péssimo diálogo, slogans para todos os lados (“A Intifada Homosexual”, “A Revolução é Meu Namorado”), e várias situações onde os atores podem demonstrar sua experiência na indústria pornográfica gay.
Nós assistimos a versão softporn, onde uma cena de sexo oral entre um terrorista e seu refém é coberto por uma foto de Tony Blair e o slogan “Bliar”; ou uma cena entre a líder dos terroristas e seu namorado é censurada por uma das várias frases idióticas de George Bush Jr. Pensei que seria o tipo de filme que me encheria o saco, mas acabei sendo seduzido por seu humor juvenil.
As influências de Andy Warhol e John Waters estão presentes, assim como as influências em outros artistas (a banda Stereo Total, se inspirou no filme para uma faixa no seu novo álbum). Por um lado, o filme é leve demais (na medida do possível num porno) e quase sentimental. Mas, por outro lado, seu humor em relação à política, especialmente em se tratando dos direitos dos homosexuais, é incrivelmente engraçado. Eu gostaria de entender um pouco mais do assunto mas não conheço suficientemente bem a história do cinema gay para entender todas suas influências.
De acordo com LaBruce, os alemães são blasé com a pornografia – várias celebridades participam em filmes do tipo sem a imprensa se escandalizar. Ao mostrar a pornografia como um galho da comédia política, dentro de uma sociedade progressiva como a alemã, LaBruce arranca a máscara assustadora do porno e lhe mostra como uma fonte genuína de humor. Não é nada novo no mundo porno (como pode ser visto, por exemplo, nos títulos de vários filmes – “Forest Hump” ou “I Know Who You Blew Last Summer”), mas é uma idéia nova quando penso em suas implicações (e aplicações) ao cinema popular.











