Nico

Fui ao British Film Institute neste Sábado passado com um amigo brasileiro, Bruno, fissurado pelo Velvet Underground. Motivo? O BFI trouxe para Londres várias raridades do museu de Andy Warhol em Nova York e lhes apresentam durante o mês de Setembro – incluindo raros filmes do começo da carreira do Velvet Underground.

Assim que nos sentamos no auditório vazio, e as luzes diminuíram, Bruno caiu num cochilo com algums outros no cinema. E na verdade não foi uma grande surpresa: os dois filmes de 16mm, preto e branco, são meio chatos. Vemos o Velvet Underground ensaiando, Nico batendo no pandeiro, seu filho com o ator Alain Delon sentado aos seus pés brincando com um chacoalho; em outro filme, vemos a banda (sem Nico) amarrando os pés da baterista Maureen Tucker, engraxando suas botas e tratando o fio do microfone como se fosse um chicote.

Nico é o destaque destes filmes. Quando Warhol lhe pediu para se juntar ao Velvet Underground, ele tinha planos para lhe transformar numa superstar. Via na sua beleza gélida algo futurista e novo. Talvez prevesse que Nico viria a epitomizar um memento mori, e morrer jovem. De acordo com Bruno, Nico era coberta de picadas de agulhas por causa de seu vício na heroina. Tinha vergonha das marcas então só andava com roupas que lhe cobriam o corpo inteiro. No dia fatídico que andava de bicicleta, fim dos anos 80, sofreu de supra aquecimento do corpo, desmaiou e bateu a cabeça ao cair.

Vendo Nico nos filmes de Warhol, não tem como não sentir pena por uma beleza destruída desta maneira.