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Aqui vai a segunda (e última) trilha sonora de Roque Santeiro. Como anteriormente, links foram providenciados para vídeos encontrados no YouTube.

01. MALANDRO SOU EU – Beth Carvalho (tema de Roque)
02. COISAS DO CORAÇÃO – Ritchie (tema de Tânia)
03. PELO SIM PELO NÃO – Cláudio Nucci e Zé Renato (tema de Sinhozinho Malta)
04. VITORIOSA – Ivan Lins (tema de Lulu)
05. FRUTA MULHER – Nana Caymmi (tema de Matilde)
06. VERDADES E MENTIRAS – Sá e Guarabira (tema de locação)
07. MIL E UMA NOITES DE AMOR – Pepeu Gomes (tema de Linda Bastos e Gerson)
08. A HORA E A VEZ – Cláudio Nucci e Zé Renato (tema de Porcina)
09. MAL NENHUM – Joanna (tema de Ninon e Delegado Feijó)
10. ENTRA E SAI DE AMOR – Altay Veloso (tema de Tânia e Padre Albano)
11. AMPARITO AMOR – Cauby Peixoto (tema de Amparito Hernandez)
12. MAL DE RAIZ – MPB4 (tema de Mocinha)
Que eu saiba, Roque Santeiro foi uma das únicas novelas brasileiras a lançar duas trilhas sonoras nacionais (geralmente, a segunda contêm artistas internacionais). Minha mãe comprou os dois LPs na época, e lhes tocava sem parar em casa. Estas trilhas me lembram verões na praia; e também o som vindo do barzinho na beira da piscina do nosso condomínio de prédios em São Paulo.
Aqui vai a lista da primeira trilha sonora:

01. ISSO AQUI TÁ BOM DEMAIS – Dominguinhos (partic. especial Chico Buarque) (tema de Sinhozinho Malta)
02. A OUTRA – Simone (tema de Lulu)
03. SEM PECADO E SEM JUIZO – Baby Consuêlo (tema de Linda Bastos e Gerson)
04. CHORA CORAÇÃO – Wando (tema de Mocinha)
05. MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE – Zé Ramalho (tema do lobisomem)
06. SANTA FÉ – Moraes Moreira (tema de abertura)
07. DONA – Roupa Nova (tema de Porcina)
08. DE VOLTA PRO ACONCHEGO – Elba Ramalho (tema de Roque)
09. INDECENTE – Anne Duá (tema de Matilde)
10. CORAÇÃO APRENDIZ – Fafá de Belém (tema de Tânia)
11. ROQUE SANTEIRO – Sá e Guarabyra (tema de locação)
12. CÓPIAS MAL FEITAS – Alceu Valença (tema de Zé das Medalhas)
Infelizmente (ou felizmente?) não encontrei a maioria dos vídeos no YouTube (o resto você assiste seguindo os links acima). Faça figadas que eu encontre os vídeos para a segunda trilha sonora.
Roque Santeiro é o maior mercado ao céu aberto na Angola. A maioria das vendinhas são cuidadas por mulheres. No vídeo abaixo, elas reclamam da decisão do governo em mover o mercado para outra área, fora da cidade, e longe da clientela habitual.
Pelo jeito, a novela Roque Santeiro foi sucesso na Angola. Será que existem crianças Angolanas com os nomes Sinhozinho Malta ou Viúva Porcina?
Na novela Roque Santeiro, uma cidade vivia às custas de um mito – todos dependiam de uma maneira ou outra no “morto” Roque Santeiro. O mercado Angolano Roque Santeiro também tem uma relação precária com sua clientela: caso os poderosos mudem o mercado para fora da cidade, destruirão a vida de várias pessoas que não tem como chegar lá. Na novela, com a volta de Roque para a cidade de Asa Branca, muitos viram seus negócios em apuros – como os já mencionados Sinhozinho Malta e Porcina, e aquela outra figura principal da novela, o Zé das Medalhas.
Vai começar o Big Brother Brasil 8. Os produtores resolveram torturar os usuários incautos da internet e pediram que os Desperados Pela Fama gravem vídeos explicando porque devem participar do programa. Os vídeos, é claro, acabaram no YouTube; e dale tosqueira!
Vídeos de homens e mulheres que se acham Os Gostosos é o que não falta. Algums desesperados criaram uma carreira em cima do fato que quase entraram em Big Brothers anteriores. Outros confessam que são mala, oque talvez melhore suas chances de serem escolhidos pelos produtores. Tem que rir para não chorar.
Nestas horas, dou graças a deus que moro em Londres.
Fudeus geral. Cientistas anunciaram, de acordo com o jornal Britânico The Independent, que o aquecimento global não tem mais jeito: um aumento de dois graus na temperatura do planeta é inevitável; os cientistas agora estão pedindo que governos se preparem para as várias crises que surgirão em conseqüência disso.
A BBC também noticiou ontem que o Ártico teve sua maior perda de gelo este verão – perdeu um espaço equivalente a sete Grã-Bretanhas. O surgimento desta nova rota marítima pode causar conflitos no futuro entre a América e a Rússia, já que os dois países pretendem controlar a exploração de recursos naturais nesta região.
Quando ouço falar de aquecimento global, me lembro de uma reportagem que vi na TV sobre seitas baseadas em Brasília. Membros destas seitas acreditam que Brasília será, no futuro, uma capital mundial, após um desastre ecológico; o Brasil será um dos poucos países poupados. Talvez esse pensamento tenha a ver um pouco com nossa mania no Brasil de pensar que o país so dará certo no futuro.
Enquanto o futuro não chega, sugiro que montemos uma guilhotina em Brasília e mandemos os políticos fazer fila. Ficará chato – não é mesmo? – se os políticos ladrões ainda estiverem no poder quando os sobreviventes globais chegarem. E pode colocar os bispos da Igreja Universal do Reino de Deus na fila também; eles não merecem pertencer ao novo futuro do Brasil.

A série americana Heroes deve sua existência ao Lost. Se a estória de um grupo de sobreviventes de um desastre aéreo não tivesse emplacado, não acredito que os produtores de Heroes teriam carta branca para estrear sua produção. Ambas as séries criam suspense envolta de uma organização misteriosa que manipula pessoas de culturas variadas; ambas exploram o potencial do bem e do mal em cada pessoa, com personagems bonzinhos que cometem atos maléficos, e vice versa; e ambas caem forte na ficção científica.
Em termos de diálogo, atuação e estória, Lost ganha de Heroes. Mas isso não quer dizer que Heroes seja péssimo. Na verdade, me lembra um pouco da novela brasileira Vamp (aquela do começo dos anos 90, involvendo vampiros), no sentido em que a trama – baseada numa eventual batalha entre o bem e o mal – fisga o telespectador do começo com humor tosco, efeitos especiais que vão do excelente ao temível, e um estilo kitsch bem típico dos filmes B americanos dos anos 50. Já estou viciado e engulindo roteiro e atores ruims que em outros shows não perdôo.

Estou no momento desempregado. Para quem já visitou e conhece Londres, deve saber o sufoco que estou passando nesta cidade, considerada por muitos como a cidade mais cara do planeta. Enquanto aguardo agências de emprego retornarem meus telefonemas e tento não gastar dinheiro, tenho usado minhas manhãs para caminhar pelas ruas do meu bairro e observar um pouco mais a cidade.
Moro em Mile End, zona leste da cidade. Da minha janela, décimo primeiro andar de uma torre cinza, avisto o Victoria Park, os arranha-céus de Liverpool Street Station e Canary Wharf, as casas idênticas que chegam ao horizonte. Ao caminhar em direção de Bethnal Green, passo por açougues, escritórios imobiliários, cafés, restaurantes libaneses e indianos, e até mesmo um centro Budista (que, aliás, tem um restaurante vegetariano muito gostoso.)
Recentemente, me sentei num banco de praça perto da estação Bethnal Green. Enquanto esperava uma amiga chegar, observava as pessoas ao meu redor. Uma mulher de meia idade escrevia numa agendinha; um senhor de idade, de paletó e com um sanduíche embrulhado, tinha pinta de aposentado que mora sozinho e não aguenta ficar sem fazer nada em casa; e um bêbado jovem logo se juntou a nós na praçinha, cambaleando e segurando uma lata de cerveja. Me bateu aquela depressão de estar sentado ali, naquela praça meia suja, sem trabalho, descobrindo a parte da cidade que milhares desconhecem (ou preferem não pensar a respeito) quando fazem sua jornada das nove às cinco.
Carrego comigo, sempre, um caderno e uma caneta. Gosto de sentar em cafés e escrever a respeito da cidade, das pessoas que circulam por Londres, que muitas vezes não parecem saber para aonde estão indo.

Eu não sei quem são os piores: os cristãos filhos da puta americanos que sonham com o Armagedon; ou os cristãos filhos da puta brasileiros que querem destruir qualquer esperança que existe na alma do povo brasileiro. Botando de lado o fato que ambas tribos louvam Satânas, acho uma questão complicada até para o mais manjado filósofo.
Eu proponho então uma solução: amarra toda esta cambada em mísseis nucleares – tanto faz se for míssel Americano ou Russo – e manda pro Sol.
Uma coisa que temos em comum com as pessoas sensatas dos Estados Unidos é que usamos o senso de humor para lidar com tanta idiotice. Para cada vídeo da Xuxa louvando o Diabo ou de uma menina de sete anos (triste vítima da lavagem cerebral) pregando mentiras da Bíblia, aparece alguém com um funk ou um vídeo exclusivo do Edir Macedo mostrando sua face real .
A esperança é a última que morre, como todos dizem, especialmente se é auxiliada pelo bom humor.

Fui ao British Film Institute neste Sábado passado com um amigo brasileiro, Bruno, fissurado pelo Velvet Underground. Motivo? O BFI trouxe para Londres várias raridades do museu de Andy Warhol em Nova York e lhes apresentam durante o mês de Setembro – incluindo raros filmes do começo da carreira do Velvet Underground.
Assim que nos sentamos no auditório vazio, e as luzes diminuíram, Bruno caiu num cochilo com algums outros no cinema. E na verdade não foi uma grande surpresa: os dois filmes de 16mm, preto e branco, são meio chatos. Vemos o Velvet Underground ensaiando, Nico batendo no pandeiro, seu filho com o ator Alain Delon sentado aos seus pés brincando com um chacoalho; em outro filme, vemos a banda (sem Nico) amarrando os pés da baterista Maureen Tucker, engraxando suas botas e tratando o fio do microfone como se fosse um chicote.
Nico é o destaque destes filmes. Quando Warhol lhe pediu para se juntar ao Velvet Underground, ele tinha planos para lhe transformar numa superstar. Via na sua beleza gélida algo futurista e novo. Talvez prevesse que Nico viria a epitomizar um memento mori, e morrer jovem. De acordo com Bruno, Nico era coberta de picadas de agulhas por causa de seu vício na heroina. Tinha vergonha das marcas então só andava com roupas que lhe cobriam o corpo inteiro. No dia fatídico que andava de bicicleta, fim dos anos 80, sofreu de supra aquecimento do corpo, desmaiou e bateu a cabeça ao cair.
Vendo Nico nos filmes de Warhol, não tem como não sentir pena por uma beleza destruída desta maneira.

Lili Taylor é uma atriz genial. Mais genial ainda foi sua escalada para fazer o papel de Valerie Salanis, a feminazi que escreveu o S.C.U.M. manifesto e que quase matou Andy Warhol. Como diz o título do filme, I Shot Andy Warhol detalha a vida de Valerie e os motivos pelo qual ela resolveu liquidar com o artista pop com um revólver roubado.
Muitos acreditam que Valerie pôs fim ao espírito dos anos 60 em Nova York, já que Andy nunca mais se recobrou do tiro e a Factory, criada por ele nos anos 60 como um centro aberto para artistas e curiosos, teve que repensar sua segurança. O tiro disparado por Valerie foi um presságio do fim da inocência dos anos 60.
A trilha sonora de I Shot Andy Warhol fica por conta de John Cale, um dos fundadores do Velvet Underground e amigo de Warhol. Outro destaque do filme é Stephen Dorff no papel de Candy Darling. Aliás, rolou um boato algums anos atrás que Madonna queria fazer o papel de Candy em um filme. Pior idéia, impossível; graças a Deus, parece que Madonna partiu para outras e resolveu deixar o legado de Warhol em paz.











