Big Brother UK 10

Big Brother UK 10

Começa hoje a décima edição do Big Brother britânico, filmada numa casa nos subúrbios de Londres. Fotos da nova casa já apareceram na internet, monstrando que os participantes terão que viver num ambiente desprovido de comfortos pelos primeiros dias – sem água quente, cozinha e até mesmo cama. Batalharão por uma chance de entrar na casa “verdadeira”, onde então começará a luta por 100,000 libras. Como em edições anteriores, os participantes são proibidos de descutir votos ou o mundo exterior (algo que sempre achei ser um ponto a favor da edição britânica, e um ponto contra o Big Brother Brasil.)

De acordo com as revistas de fofoca, potenciais participantes incluem um brasileiro, uma Miss, virgems, gays, bisexuais, lésbicas, um irlandês e um paquistão. A maioria dos boatos são, com certeza, criações dos produtores do show, desesperados para criar interesse num formato que vem perdendo popularidade com os anos.

Quando me mudei para a Inglaterra, 8 anos atras, o show era campeão de audiência. O Ibope atingia altos pontos facilmente, e os participantes muitas vezes faziam uma graninha após o show terminar com apresentações, entrevistas, etc. Para mim, o show era sinónimo de verão: aquelas noites quentes em que a gente não tinha muito o que fazer e acompanhava os dramas e a comédia dos participantes. Mas com o tempo, o formato foi se desgastando e fui perdendo interesse. Sumiram os personagens interessantes – substituidos por pessoas desesperadas pela fama (e sem um pingo de charme.)

Fiz promessa ano passado de nunca mais assistir o show, mas agora com essa notícia de que vai ter um brasileiro na casa… estou em dúvida! Meu namorado já ficou bravo comigo e proibiu o programa na nossa TV.

Fotos da nova casa podem ser vistas aqui.

E ai, o que você acha do Big Brother?

Final de tarde ensolarado. Sinto o calor como se fosse pela última vez, como se eu fosse um turista da Antártica que tem somente um dia para usurfruir desta beleza.

Ouço um podcast sobre a história do movimento sufragista. Moro aqui em Londres no bairro onde elas se encontravam para organizar seus protestos, para imprimir seus panfletos reclamando dos direitos das mulheres. Se estivessem vivas hoje, ficariam horrorizadas com algumas destas muçulmanas britânicas que insistem em perder seus direitos e voltar à era medieval. Isso que da quando o pensamento religioso corroe a faculdade racional.

Céu azul claro. Memórias do Brasil. Patos, gansos e pombos no ar. Esportistas; pessoas fazendo caminhada. Casais com crianças. A água do lago coberta de pólen, fina como uma teia de aranha.

A Favorita

A Favorita

Descobri que todas as novelas recentes da Rede Globo (e algumas antigas) podem ser baixadas de graça pelo Orkut… pronto, acabou a minha vida social!

Morando em Londres, às vezes sinto saudades do que esta passando no Brasil – o que os amigos e a família dividem em conversas sobre programas de TV, personagens controversos de novelas. Agora posso assistir daqui e me sentir um pouco mais perto dos brasileiros.

Estou no momento assistindo “A Favorita” (estou no capítulo 25 – bem no começinho da estória). Escolhi esta novela porque quando visitei o Brasil no Natal, vi como todos estavam grudados na TV nos últimos capítulos. Me pareceu uma boa estória para seguir neste verão londrinense -  uma mistura legal do tipico melodrama do gênero com romance policial.

Sim… sou noveleiro confesso!

Crystal Stilts, Departure

Crystal Stilts, Departure, Feb 2009
Mal chegou a primavera e ja estou preocupado com o outono, graças a banda Americana Crystal Stilts. Deve ter alguma coisa na água de Brooklyn – muita música interessante tem saído deste bairro Nova Iorquino nos últimos anos. Embora Crystal Stilts carreguem uma lista enorme de influências – Joy Division, Jesus & Mary Chain, Velvet Underground e House of Love – conseguem embrulhar tudo de uma maneira nostálgica e charmosa sem roubar idéias de suas influências. “Departure” me lembra também de uma banda brasileira dos anos 80, Violeta de Outono, com suas melodias sonhadoras, letras psicodélicas e um ritmo dark por baixo de tudo. O lado-b, “Prismatic Room”, lembra Mazzy Star e The Doors. Imagino que os integrantes do grupo tem cabelos pretos e franjinhas estilo anos 60.

O parque Victoria está cheio de: árvores, bêbados, flores, grama, cachorros, beleza.

Bateu fome e cansaço. Fim de tarde, primavera. Os bêbados tentando pescar no lago do parque. Pessoas fazendo ginástica após o trabalho. Cisnes e patos à procura de comida. Cadê os pombos? Música do Bauhaus no meu ouvido, conferindo a tudo um ar tenebroso. Talvez este seja o último fim de tarde do planeta. Nosso último dia. A vida termina aqui, começa ali. Os mortos vivos se erguem do lago e caminham em minha direção (estou sentado num banquinho que fica de frente a água). Cheiro de cigarro no ar puro.

Casais passeam de mãos dadas. Estou com vontade de comer pão com manteiga. Tomar café com leite. Toddy. Pastel. Mergulhar na piscina. Férias eternas. Aquele sol de infância que não faz mal a ninguém.

Este documentário deveria ser mostrado em todas as escolas brasileiras:



Lobisomem

Originally uploaded by Roque Santeiro

Na pequena cidade de interior abriu uma boate de dançarinas sensuais. O acontecimento escandalisou os religiosos – a moral sagrada e popular do lugar. Às escondidas, os maridos e filhos da cidade celebraram a novidade; visitavam a casinha rosa quando podiam para ver as duas dançarinas recém chegadas mostrarem seus corpos ao som de Você Me Incendeia, um hit do momento.

As duas moças pareciam irmãs gêmeas na maneira que se portavam, na altura de seus corpos, nas suas risadas e sorrisos. No entanto, suas personalidades eram diferentes. Uma adorava a cor vermelha e os véus; era loira e um tanto séria. A outra preferia roupas justas e saltos altos; tinha pouco juízo.

Antes da platéia chegar, se vestiam num pequeno camarim atrás do palco. Aplicavam perfumes atrás das orelhas, nos punhos e nas solas dos pés; tinham ouvido dizer que isso dava sorte. Da porta do camarim, a dona da boate as observava como uma mãe. Lhes desejava boa sorte todas as noites antes de subirem ao palco.

Mal sabiam as duas dançarinas que uma maldição pairava sobre a cidade: uma criatura que andava as ruas desertas nas noites de lua cheia. Das sombras, esta criatura – um lobisomem – as espreitavam quando os shows terminavam e a boate esvaziava. A lua era a única testemunha de como ele cobiçava por tanta carne fresca. Babava feito pastor de igreja evangélica quando vê dinheiro. Delícia de tentação!

O lobisomem tinha que se aproveitar da noite para atacar; tinha que agarrar uma das moças e lhe levar aos fundos do cemitério antes do sol raiar. Com a chegada da alvorada, a maldição dissipava como uma névoa seca. O dia trazia sua normalidade que fazia os perigos da noite parecerem pesadelos de crianças. No entanto, o desejo ficava… escondido no fundo da alma até a lua cheia voltar.

Estou no porão do teatro Royal Court, esperando amigos chegarem para que possamos ver a peça The Fever, de Wallace Shawn. Um dia lindo em Londres – depois de oito anos nesta cidade, cheguei a conclusão que a primavera é a melhor época para curti-la. Um sol seco, um vento frio, flores desabrochando para todos os lados, casacos de inverno de volta ao armário e cores pelas calçadas. Mais pele, mais sorrisos.

Estou bebendo uma cerveja forte chamada Leffe. Tem gosto de canela – deliciosa. Comprei um cartão de aniversário para a minha cunhada – o tipo de cartão que não se encontra no Brasil.

As pessoas do lado ocidental de Londres (onde se encontra este teatro) são muito diferentes das do lado oriental (onde eu moro): playboys limpinhos e certinhos; mais dinheiro no ar; atitudes mais conservadoras. Falta a energia punk do outro lado da cidade. Falta tensão. E tesão?



Canalside garden centre

Originally uploaded by Lou-EB

Fomos a um centro de jardinagem perto de casa, que fica à beira do Victoria Park e Regent’s Canal. Compramos plantas para o nosso apartamento. Na ida, quase nos esbarramos em dois moleques de bicicleta, aparentemente roubando uma terceira bicicleta. Eles nos xingaram e com certeza teriam pedalado de volta para um confronto se tivessemos revidado.

Como dói engolir um desaforo!

Mas aqui em Londres, é a coisa mais sábia ficar na sua: quem parte para conflitos com os adolescentes daqui muitas vezes termina com uma faca na barriga.

Está um dia cinza, como de constume. Temos filmes franceses e episódios do Lost para costurar o fim da tarde. A rádio esta sintonizada na BBC3, que toca somente música clássica. Meu espírito esta tranquilo (especialmente com essas novas plantas e flores que adicionamos ao apartamento.) A sala ganhou vida e a nossa varanda vai virar uma floresta de samambaias.

Shirley Valentine

Shirley Valentine

Vivemos com aquela fantasia de que o melhor está em algum outro lugar. Isso vale igualmente para aqueles que tem dinheiro e para os que não tem nada. No filme Shirley Valentine, a protagonista – mãe e dona de casa – resolve largar tudo e passar duas semanas de férias na Grécia. Sua vida chegou a um impasse: não aguenta mais o marido, os filhos, a monotonia do dia a dia. Na Grécia, vive um romance passageiro, descobre o sol e o mar – resolve nunca mais voltar para a Inglaterra.

Ok, o filme é uma grande fantasia (e baseado numa peça teatral); mas fica aquela questão: por que as pessoas tem tanto medo de seguirem seus corações? Talvez são poucas as pessoas que atingem o ponto que não tem mais nada a perder, que jogam tudo para o alto.

Este é o filme predileto da Rainha Elizabeth II da Inglaterra. Enquanto assistia, fiquei pensando nela: será que ela se vê no personagem? Sonha em largar o marido e a família para ir morar num país com sol e praias lindas? Sonha em descobrir a si mesma? Acho que sim…